‘Anos de Formação: Os Diários de Emilio Renzi’, de Ricardo Piglia, tem lançamento e filme em SP
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‘Anos de Formação: Os Diários de Emilio Renzi’, de Ricardo Piglia, tem lançamento e filme em SP

Veja o teaser do filme produzido pela Editora Todavia e pelo Instituto Cervantes para a chegada do livro no Brasil

Guilherme Sobota

07 de novembro de 2017 | 09h38

Anos de Formação: Os Diários de Emilio Renzi, de Ricardo Piglia, tem lançamento nesta terça-feira, 7, no Instituto Cervantes, em São Paulo. A Editora Todavia, que publica o livro no Brasil, vai também exibir um filme produzido em parceria com o Instituto sobre os diários do escritor argentino. Veja os teasers, divulgados com exclusividade pelo blog:

O filme tem depoimentos de Sérgio Molina, tradutor, e de Samuel León, editor, sobre a convivência com Piglia e também leitura de três trechos, por Verônica Stigger, Paloma Vidal e Antônio Xerxenesky. Ainda haverá um bate papo com Molina, Julio Pimentel Pinto (USP) e Paulo Werneck. O evento é às 19h.

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Aclamado na América Latina e na Espanha, considerado pelo Babelia do El País o livro do ano em 2015, os diários de Piglia na verdade são três. Anos de Formação é o primeiro deles, situado entre 1957 (quando o jovem argentino tinha só 16 anos) até 1967, quando já tinha se envolvido a fundo na carreira acadêmica e publicava seu primeiro livro, La Invasión.

Além do prazer e do interesse comum que qualquer livro de Piglia desperta, esse volume ganha uma força imensa com a qualidade da construção que o escritor empenhou aqui. Emilio Renzi, como se sabe, é uma espécie de alter ego de Piglia, mas é muito mais. Ele fala sobre isso em diversas passagens, mas destaco uma.

Argentine writer Ricardo Piglia attends an event where he received the Romulo Gallegos International Novel Prize for his book

Ricardo Piglia em Caracas, na Venezuela, no dia 2 de agosto de 2011. Foto: REUTERS/Jorge Silva

Em março de 1962, ele havia inscrito um conto num concurso de uma revista literária importante, e uma das juradas, a escritora Beatriz Guido, foi à Universidade de La Plata, onde ele estudava, dar uma palestra. Sem saber a autoria da história, ela elogiou o conto de Piglia, que estava na plateia. Ele descreve: “e eu percebia, surpreso, que aquele era eu, e senti uma emoção contraditória que sempre me acompanhou, nas boas e nas más, de que não era eu, aquele que estava lá sentado entre meus colegas, que tinha escrito aquele conto, mas outro, diferente de mim, mais introvertido e mais valente, enquanto eu naquele tempo andava bem perdido, afastado emocionalmente de tudo”.

+ Uma recordação de Ricardo Piglia

Piglia editou os seus cadernos (327, segundo o próprio) já no últimos anos de vida, sofrendo da Esclerose Lateral Amiotrófica, que lhe comprometeu os movimentos e no fim, a saúde. O livro é cirúrgico no sentido de que Piglia costura as entradas dos diários com textos (que parecem mistos de ficção, ensaio e memória, como a grande literatura) reeditados, narrados por e sobre Emilio Renzi, essa figura ficcional encharcada de mundo e pessoas reais (que vão de seus amores adolescentes à própria Beatriz Guido, Rodolfo Walsh e Gabriel García Márquez).

Essas costuras passeiam então entre pontos de vista, focos narrativos e no tempo e no espaço, sem deixar nenhuma aresta em aberto a não ser aquela que a literatura abre diante do abismo.

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“A vida é uma cadeia de encontros casuais, mas tentamos nos explicar a nós mesmos como se escolhêssemos tudo desde o início. Caminhos que ‘parecem’ casuais mas são o resultado de toda uma maneira de viver. É só pensar no que aconteceu desde novembro, quando conheci a Lidia, até hoje, e fica bem claro que as coincidências foram rigorosamente programadas por mim para chegar a esses mesmos resultados. (…) Que me importa agora tudo que li? Que me importa escrever e saber, se não estou com ela?”.

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Lançamento do livro
Bate-papo com Júlio Pimentel Pinto e Sérgio Molina, com mediação de Paulo Werneck
Exibição de filme sobre o autor
7/11, 19h no Instituto Cervantes (Av. Paulista, 2439)
Apoio: Quatro Cinco Um

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