42.ª Mostra de Cinema de São Paulo: ‘Tarde Para Morrer Jovem’
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42.ª Mostra de Cinema de São Paulo: ‘Tarde Para Morrer Jovem’

Filme da diretora chilena Dominga Sotomayor e com coprodução brasileira se passa numa comunidade bucólica pós-ditadura militar

Guilherme Sobota

19 Outubro 2018 | 11h26

Os filmes que chegam à Mostra de Cinema de São Paulo quase sempre vêm com uma ficha corrida respeitável: ainda bem, é para isso que estamos lá. Tarde Para Morrer Jovem (uma coprodução de vários países, inclusive o Brasil, com a RT Features) rendeu à diretora chilena Dominga Sotomayor o prêmio de melhor direção no Festival de Locarno, o primeiro para uma mulher na história do evento.

Desde o primeiro plano — a câmera fixada na janela lateral do banco traseiro de um carro — fica claro que a diretora busca fugir de qualquer tipo de manual, e durante o filme essas buscas criam uma textura rica e criativa (dois momentos em que a protagonista, Sofia, passa numa banheira estão entre as imagens mais significativas do filme; Sofia é vivida por uma ótima atriz que transicionou e agora se chama Demian Hernández).

Sofia (Demian Hernández) em cena de ‘Tarde Para Morrer Jovem’

As subtramas do filme não são estranhas — um triângulo amoroso, uma mãe ausente. Uma delas, porém, se sobressai se o espectador estiver buscando um sentido mais profundo num filme cujo propósito é claramente voltado mais para as texturas do que para os enredos: Clara (Magdalena Totoro), uma garota de seus 10 anos, passa o filme em busca de Frida, sua cachorra que se perde em meio a uma nuvem de cascalho na sequência inicial (essa nuvem volta a aparecer em outro momento definitivo do filme, em forma de cinzas). A impossibilidade do reencontro parece a síntese de uma ideia que captura o contexto do filme.

Que é: o Chile pós-ditadura militar (1990). No único indício mais claro da sombra militar que pairou sobre o país, quando Sofia e Lucas (Antar Machado) estão andando de carro fora da comunidade isolada (e um tanto idílica) onde vivem, eles passam por uma viatura da polícia e a orientação dela para ele é simplesmente: “finja demência”.

A ambiguidade fatal da mensagem é um grito de alerta, infelizmente, atualíssimo.

Cotação: 3/5

Outras exibições na Mostra:

Dia 19/10
15:30 – RESERVA CULTURAL – SALA 1
Dia 21/10
14:00 – CINESALA
Dia 30/10
17:40 – ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – FREI CANECA 3
Dia 31/10
21:00 – ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA POMPÉIA 1