42.ª Mostra de Cinema de São Paulo: ‘303’
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42.ª Mostra de Cinema de São Paulo: ‘303’

Como todo bom road movie, o filme traz a ruptura da rotina dos dois personagens acompanhada de notícias mais ou menos traumáticas, que os lança em direção ao desconhecido

Guilherme Sobota

23 Outubro 2018 | 13h33

Em 303, filme do austríaco Hans Weingartner, Jule (Mala Emde), uma estudante de biologia de 24 anos, se descobre grávida de um namorado que vive em Portugal, e decide viajar de Berlim até o Alentejo num motorhome da Mercedes, cujo número do modelo dá nome ao filme. No caminho, conhece Jan (Anton Spieker), também estudante de ciências sociais, indo de carona para a Espanha para conhecer seu pai biológico. Embora a gravidez seja mantida em segredo, ele sabe que ela está comprometida: uma atração entre os dois, porém, se faz inevitável.

O filme será exibido na 42.ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo a partir do dia 25.

Cena de ‘303’. Foto: kahuuna films Gmbh

Depois de um início meio tortuoso (no qual o suicídio é o primeiro dos grandes temas éticos discutidos pelo casal ao longo do filme), eles seguem pela viagem de cenários paradisíacos — o filme tem dois fotógrafos, Mario Krause e Sebastian Lempe, e o trabalho deles é facilitado pelas paisagens (uma tomada da Ribeira, no Porto, é de tirar o fôlego). As imagens têm um pouco dos tons pasteis de Boyhood.

As discussões começam a mover o filme, e os dois personagens acabam resumidos em posições estereotipadas que raramente se aprofundam além do debate (ali muito civilizado, elemento raro no Brasil 2018) liberal (ele) x progressista (ela). Apesar de eles constantemente conversarem como se suas próprias vidas dependessem da discussão, há, para os dois, sabemos, problemas mais urgentes.

Os dilemas éticos variam entre “competição e cooperação” (sobre o futuro da humanidade), a monogamia em relacionamentos, ou sobre impulsos sexuais da raça humana e por aí vai. A fricção constante entre Jule e Jan (pois é) acaba criando um laço, colocado a teste o tempo todo, e à medida que o filme avança os dilemas se esfumaçam — dando lugar ao que realmente importa? Talvez.

Como todo bom road movie, o filme traz a ruptura da rotina dos dois personagens acompanhada de notícias mais ou menos traumáticas, que os lança em direção ao desconhecido. A fórmula é clássica (talvez a grande referência aqui seja Harry e Sally — Feitos Um Para o Outro, de Rob Reiner e do roteiro indicado ao Oscar de Nora Ephron em 1990).

A beleza de tudo — dos atores, dos cenários, do carro — faz a viagem, mesmo que ao cinema mais próximo, valer a pena.

Cotação: 3/5

Exibições na Mostra:

Dia 25/10
18:20 – ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – AUGUSTA SALA 1
Dia 26/10
20:45 – ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – AUGUSTA ANEXO 4
Dia 27/10
17:30 – CINE CAIXA BELAS ARTES SL 1 VILLA LOBOS
Dia 29/10
14:00 – ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA – FREI CANECA 2