Ver o New Order tocando Joy Division é impagável

Estadão

14 Novembro 2006 | 16h04


Foto: Alex Silva/AE

Para alguns, o New Order está decadente. Eu não concordo. O New Order nunca foi bom de palco, tirando o baixista Peter Hook, que tem alma de guitar hero (apesar do baixo), falta mesmo à banda e principalmente a Bernard Sumner, um quê de carisma. Mas isso é compensado pela música.

Vi o New Order num show horroroso em 1988, no Ibirapuera. Comparado a esse show da minha adolescência, com som todo embolado, o de ontem à noite foi maravilhoso, mesmo com o som voltando a embolar, principalmente nas músicas com guitarras mais encorpadas.

Só que ver o New Order tocando músicas do Joy Division, depois de 26 anos da morte de Ian Curtis, é impagável. Ontem, a banda tocou “Transmission”, “She’s Lost Control” e “Love Will Tear Us Apart”. Além de “Cerimony”, que é quase Joy Division.

As músicas novas são o ponto fraco do show, embora eu goste de “Crystal”, a escolhida para abrir a noite. Mas, no final, uma emendada de “True Faith”, “Bizarre Love Triangle”, “Perfect Kiss” e “Temptation”, fez valer ter ido ao Via Funchal lotado.

Os ingressos estão esgotados, mas eu arriscaria tentar a sorte com um cambista. E se o set list for o mesmo, dá até para perder o começo do show e negociar um ingresso mais barato.