Lanny é Deus

Estadão

02 de abril de 2007 | 15h42

Sábado eu fui ver o show do Lanny Gordin e convidados no Auditório Ibirapuera. Sempre me emociono ao ver o Lanny. Foi assim na primeira vez que eu o vi tocando no Teta Jazz Bar, já faz um bom tempo, e depois como um dos músicos que acompanhavam o Romulo Fróes.

Me emociono ao ver o Lanny porque eu nunca vi ninguém ter um domínio da guitarra como ele tem. Ele não toca, conversa com os músicos usando o guitarra. Veja o porquê na ótima reportagem do Lauro Lisboa Garcia no Estadão.

E essa foi a tônica das apresentações no Auditório Ibirapuera. O show se dividia entre as apresentações de músicas com os convidados – duas para cada um – uma abertura e um fechamento solo, e o resto eram músicas tocadas com a o Projeto Alpha, banda excepcional, formada pelo Fábio Sá, um monstro no baixo, pela timbatera de Zé Aurélio, e por Guilherme Held.

Nos shows que eu vi, os convidados foram Max de Catro, Jards Macalé e Péricles Cavalcanti – ou do Amaral, como disse Lanny -, no sábado, e Fernanda Takai, Arnaldo Antunes e Chico César no domingo. Para mim, impagável foi o encontro de Lanny com Macaé. Os dois falam a mesma lingua e foi emocionante ver o embate louco de violão e guitarra.

Eu gostei mesmo foi de ouvir o Lanny solo e com a banda. A versão de Corcovado, solo, que lembra muito o som do Derek Bailey no disco Ballads, é brilhante. Mas nada supera o arranjo de “Tropicália”. Eu gostei tanto que no domingo até levei um gravadorzinho para guardar para mim esse arranjo. E divido com vocês um trechinho da música. Claro, está em mono, com qualidade sofrível, mas a idéia aqui não é fazer pirataria…