Cut, do Slits, envelheceu bem

Estadão

31 Janeiro 2007 | 18h46

Esse revival do pós-punk que varre a Terra nos últimos dois anos tem lá seu lado bom. No fim do ano passado, foi reeditado um dos melhores discos do pós-punk inglês, que rodou na minha vitrola até furar quando eu era adolescente.

O álbum é Cut, do Slits, a banda de garotas – outra coisa bem legal da época eram as meninas de atitude – que misturou como ninguém o jeitão desencanado e irônico do punk com a largação do reggae, mais precisamente do dub. Assim como o Clash entre os punks e o Public Image Ltd. na sua primeira encarnação, as meninas do Slits juntavam dissonância com aquele baixo marcado do dub.

No caso delas, o resultado faz ainda mais sentido porque o produtor, ou seja, quem comandava a mesa de som, era nada menos do que o genial Dennis Bovell. Neste disco de 1979, além de Viv Albertine na guitarra, Tessa no baixo e Ari Up nos vocais, a bateria é tocada por Budgie, que logo depois entraria para o Siouxsie & the Banshees.

Além de Cut, o Slits só lançou um outro álbum na época, o Return of the Giant Slits, em 1981. Desde 2005 a banda está de volta e já lançou um disco ao vivo e um de estúdio, mas, cá entre nós, o legal mesmo são os LPs antigos.

Desde que eu comprei de novo o Cut não consigo parar de ouvir. Por isso, o som do dia hoje é a música que abre o álbum: “Instant Hit”, sobre o genial guitarrista do PiL Keith Levine. Aumenta o som: