RIP Trish Keenan

Estadão

14 de janeiro de 2011 | 15h43

O Broadcast se equilibrava entre o passado e o futuro. Se de um lado tinha os sintetizadores, de outro tinha uma uma sonoridade visceral que remetia ao som do garagem dos anos 60, ao rock que desembocaria tanto na psicodelia quanto no punk. Natural que o último álbum da banda, em parceria com The Focus Group, tivesse exatamente essa aura de mergulho no passado, apropriando-se de pedaços de gravações antigas para criar sonhos meio fantasmagóricos. Era um som inquieto, literalmente assombroso. Foi um dos discos de que mais gostei em 2009.

Muito do refinamento da banda e destes pontos de contato com o passado vinham da voz de Trish Keenan.  Era ao mesmo tempo delicada e forte, tinha algo fora de esquadro, fora do mundo e do tempo. Trish morreu de pneumonia depois de lutar contra o vírus H1N1. Uma brutalidade morrer de gripe hoje. Tristeza.

Para lembrá-la, deixo aqui um trecho sem edição de uma matéria de capa da Wire de 2009 com a Trish e alguns vídeos.