Publique a lenda, vovozinho

Estadão

24 Julho 2006 | 16h15

O Granddady acabou. Lançou neste ano o ótimo Just Like the Flamby Cat, que vai sair em edição nacional no segundo semestre pela Sum. Em janeiro, a banda já havia dito ao semanário inglês NME que iria terminar, e confirmou sua previsão. Nesse verão americano, o líder da banda, Jason Lytle, está numa turnê intimista, com seu violão.

É um fim melancólico para um grupo que fazia um pop sonhador, quase sem concessões. O Grandaddy, que lançou seu primeiro disco em 1996 e conseguiu fazer mais cinco álbuns em dez anos, terminou porque seus membros cansaram de não ganhar dinheiro, de não tocar no rádio.

Tudo bem. Para os garotos de Modesto, na Califórnia, que sempre foram diretos e sem frescuras, faz todo o sentido terminar desse jeito pragmático. Mas isso talvez até explique porque o Grandaddy não explodiu, mesmo fazendo música de qualidade A banda nunca embarcou no circo do rock, nunca se preocupou em criar uma mitologia. Por isso esse fim quase burocrático, sem brigas nem egotrips.

O Grandady nunca aprendeu uma lição que a indústria do entretenimento repisa a pelo menos quatro décadas: “Quando a lenda se torna um fato, publique-se a lenda”, dizia o personagem Maxwell Scott no clássico de 1962 O Homem que Matou o Fascínora, de John Ford.