O futuro do negócio de música, por Paulo Terron

Estadão

29 de outubro de 2010 | 14h39

banda_calypso.jpg

Acho que a primeira vez em que o debate do “futuro da música” me chamou a atenção foi na época do Napster: o Metallica e seu escândalo de ódio contra os próprios fãs. Esse caso já tem 10 anos, mas o debate evoluiu pouco. Veio a loja do iTunes, artistas e gravadoras descobriram formas novas de ganhar dinheiro; estrelas como Madonna e Paul McCartney viram que era melhor, no caso deles, trabalhar para outros tipos de empresas (de eventos, no caso da cantora, de café, no do Beatle); o Radiohead passou a bola da decisão do lucro para os fãs. Ou seja, o que era uma via única acabou se transformando em um grande emaranhado de possibilidades.

O grande problema é que tem sempre alguém querendo apontar uma verdade absoluta – do tipo “os games estão salvando a música” ou “o futuro da música está nos celulares” –, em uma época que, ainda bem!, não suporta mais verdades absolutas. Não estão entre nós o Calypso e os padres cantores para provar que a mídia física ainda funciona? E, em paralelo, não há centenas de bandas lucrando com shows e ignorando cada vez mais o CD? Talvez a resolução do debate esteja em simplesmente aceitarmos que o futuro é assim, variado e indefinível.

Paulo Terron é editor da revista Rolling Stone, apresenta o programa Qualquer Coisa com Max de Castro e Zé Flávio na Oi FM e mantém o ótimo blog With Lasers!.