O futuro do negócio de música, por Lúcio Ribeiro

Estadão

28 de outubro de 2010 | 09h00

kings_of_leon_2010.jpgO futuro da música como negócio, perdoe o clichê, a Deus pertence. Nem que esse Deus seja o Steve Jobs ou o próximo moleque que inventar um novo sistema de rede sociais que facilite o intercâmbio musical e, quem sabe, o comércio dela.

O futuro sonoro, assim como o futuro da internet em si, do jornalismo, do cinema, da TV, do planeta, é incerto, mas beleza. It’s the end of the world as we know it, and I feel fine, já bem diria Michael Stipe.

O CD morreu, as gravadoras morreram, o Arctic Monkeys novo é o mais vazado gratuitamente antes do lançamento mas depois é o mais vendido depois do lançamento, o Radiohead ganhou fortuna dando disco de graça e o pior Kings of Leon bateu o recorde de disco novo oficial mais baixado? A gente já viu tudo e ainda não viu nada. O negócio (da música) é esperar e observar, mas sempre com uma boa conexão e um computador com memória suficiente para armanezar esse futuro.

Tendo a acreditar que o futuro da música como negócio ou como qualquer coisa está sendo escrito agora, no presente. E passe obrigatoriamente pelos fãs. Fãs que se juntem para comprar para sua cidade shows de sua banda preferida.

Fã que não gosta do novo disco do Kings of Leon (de novo, sorry), acha a banda devagar para tocar nas FMs e atingir um público maior, acelera por conta própria uma das músicas e posta na internet dizendo que agora sim parece a banda do começo. Eu compraria um disco novo do Kings of Leon das mãos desse cara. Não compraria o disco do Kings of Leon das mãos do Kings of Leon.
Isso seria o futuro?

Lúcio Ribeiro é meio multi-homem, organiza festivais, discoteca, faz há não sei quantos anos a excelente coluna Popload e, desde o começo do ano, escreve uma coluna também no C2+Música aqui no Estadão.