O futuro do negócio de música, por Dago Donato

Estadão

27 de outubro de 2010 | 15h42

Enquanto todos esperam o tal “novo modelo”, pouca gente se deu conta de que já vivemos um novo modelo no mercado de música. Acredito que agora temos um modelo mais justo, com uma grande “classe média” musical no lugar do abismo que tínhamos antes entre o mercado mainstream e o resto. Não sei muito como o mainstream vai sobreviver e nem me interesso por isso. No independente, mais e mais artistas com trabalho relevante, objetivos claros e  alguma noção de gerenciamento de carreira conseguem levar seu trabalho adiante e até viver disso.
Caem os sonhos com os milhões. O novo artista deve buscar uma vida digna como a que ele teria exercendo outra profissão: garçom, gerente de banco, profissional liberal etc, dependendo do sucesso que atingir. Ao redor dessa nova classe surgem os clubes, booking agents, festivais, empresas de rp e management. Vivemos a melhor época da história pra fazer música e viver dela. Só não enxerga quem ainda sonha com iates, mansões, putas caras e cocaína a rodo.

Dago Donato é um daqueles descobridores incansáveis de sons novos, sócio do Neu Club, faz tempo que ele anda devendo posts novos no seu blog Be My Head.