O amor segundo o Grizzly Bear

Estadão

20 de setembro de 2006 | 16h51

É difícil falar de amor num tom sóbrio e mesmo assim arrepiar até a medula. É isso que os americanos do Grizzly Bear alcançam em seu segundo disco, Yellow House. São dez canções melancólicas, que retratam, no todo, um ciclo pelo qual todos nós passamos: o fim de um relacionamento e o começo do novo amor. O interessante é que a banda faz isso sem alarde, sem descambar para o piegas.

Lançado pelo selo Warp, Yellow House é o primeiro disco da banda com uma produção cuidada. O álbum de estréia, Horn of Plenty, era o resultado de gravações caseiras mais experimentais feitas por Edward Droste e depois elaboradas pelo multiinstrumentista Christopher Bear. Tinha algo de urgente, amalucado, com suas canções diretas chocando-se com improvisações inspiradas pelo free jazz.


Yellow House
é mais sutil. A base são boas canções com influência do folk, mas atualizadas pelo rock de vanguarda, com dinâmicas diferentes, belos arranjos que opõem violão e guitarra, pontuados por crescendos de tirar o fôlego – muito como fazem Danielson Family e Sulfjan Stevens. A diferença é que o Grizzle Bear tem também uma sensibilidade para incluir a eletrônica nessa mistura. Mas, de novo, com muita naturalidade. Nesse sentido, é uma banda irmã do Animal Collective, o grupo que transita com mais fluência entre sons acústicos e eletrônicos. O que muda é a densidade lírica, o Grizzly Bear é triste, triste…

Nota: 9

PS: Obrigado ao Claudio Szynkier pela bela dica.

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