Memórias de um gigolô

Estadão

10 de outubro de 2006 | 16h51

Terminei de ler há alguns dias a autobiografia do Charles Mingus, Saindo da Sarjeta, que saiu no Brasil pela editora Jorge Zahar, com boa tradução do Roberto Muggiati.
Mingus foi uns do modernizadores do jazz, um baixista incrível e um compositor melhor ainda. Tocou com todo mundo que importava na sua época, mas não é disso que se trata a sua autobiografia. Saindo da Sarjeta é quase um livro erótico, tão minuciosamente Mingus comenta a sua vida sexual, das descobertas do amor à tentativa de virar um cafetão. A música fica em terceiro ou quarto plano.
Um problema do livro a opção de narra sua vida na terceira pessoa, desde o nescimento, esbarrando em momentos de pieguice profunda. Mesmo assim, as aventuras desse Mingus-Casanova são deliciosas e proporcionam uma leitura ligeira e divertida. E também uma prova de que autobiografias é mesmo uma das formas mais férteis de ficção.

Saindo da Sarjeta, de Clarles Mingus. Jorge Zahar Editora, 272 páginas, R$ 39,50.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.