Max de Castro cada vez melhor

Estadão

07 de outubro de 2006 | 17h44

Um artista mostra personalidade quando assume riscos. Quando não se deixa domar pelo hábito, pela morosidade intelectual. Max de Castro, sem dúvida, joga nesse time. Daquele núcleo de artistas identificados com o começo da gravadora Trama, ele é o mais inquieto e também o mais talentoso.

E isso não é nenhuma novidade. Pelo menos desde Orchestra Klaxon (2002), um disco repleto de artistas de peso convidados, Max já se mostra um dos arranjadores mais inventivos da nova música brasileira. Max de Castro (2005) era uma continuação melhorada das idéias musicais de Orchestra Klaxon. Mas, agora, com Balanço das Horas vem a ruptura.

Não acredito que isso ocorra só porque o disco todo é feito com os mesmo time de músicos, numa formação mais enxuta. Nem por ser um álbum que avança mais sobre os territórios do rock. Penso que essa ruptura vem mesmo da maturidade, de ter letras mais bem escritas, de ter um entendimento mais completo da canção, da necessidade de encontrar um equilíbrio entre o que é tocado e o que é dito. Obviamente, há grandes arranjos em Balanço das Horas, mas agora a música não tenta eclipsar a letra, o sentido da canção.

Para mim pelo menos, Balanço das Horas foi crescendo com o tempo. E os discos de que eu mais gosto são esses que causam um estranhamento num primeiro momento, mas vão se mostrando cada vez melhores quando vão decantando no ouvido.

Claro que a guitarra suingada , reverente ao som brasileiro negro do fim dos anos 70 e que se tornou a marca de Max de Castro, aparece. Os melhores exemplos são “Doce Deleite (Possivelmente Amor)” e as duas músicas que a complementam numa tripla homenagem: “I Remember Fela”, referência ao pai do afrobeat Felá Kuti, e “Sly Stone Is Playng in My House, dupla homenagem, primeiro ao precursor do funk, principalmente pelos teclados, e, pelo título, ao rock dançante do LCD Sound System .

Mas é bom vê-lo tocando de forma mais direta – sem ser simplista -, como no primeiro hit do disco “Balanço das Horas”, ou em “Rindo se Diz Coisas Sérias”. E gosto também de pequenas sutilezas desse Balanço das Horas, como a guitarra da introdução de “Candura”, que imediatamente remete às músicas mais melódicas de Jimi Hendrix.

Nota: 9

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