Jobs e o fim do DRM

Estadão

07 Fevereiro 2007 | 13h39

Steve Jobs é uma figura que deve ser levada a sério quando se fala em música digital. O seu iPod é um sucesso absoluto e foi a Appple que conseguiu convencer a morosa e pouco inventiva indústria da música a vender suas canções online.

Agora, como reporta hoje o New York Times e o Estadão republica um trecho da reportagem do NYT no caderno de Economia, Jobs resolveu mostrar o que pensa sobre o futuro da música numa carta que tem como alvo principal as quatro grandes gravadoras multinacionais: Universal, Sony BMG, Warner e EMI.

O apelo de Jobs é pelo fim do DRM (Digital Rights Management), essa praga que só faz bem ao departamento de marketing das gravadoras, mas que é, no fundo, ineficaz ao extremo em conter a pirataria e super eficiente em deixar o consumidor distante da compra legal de música. Jobs disse o que muita gente inteligente vem dizendo há anos. Mas tem um peso diferente vindo do dono da empresa que fabrica o tocador de música digital mais vendido do mundo. Finalmente um gigante entrou nessa briga. Para ler o texto completo de Jobs, clique aqui.

Só que, embora ele não diga isso claramente, não é só benevolência para com os consumidores que faz Jobs assumir essa posição. O mercado independente, mais ágil e menos ávido por lucro fácil, já migrou para o formato livre de DRM há alguns anos. E agora, mais organizado, começa a bufar no calcanhar da Apple.

Fora a miríade de selos que já vendem música em MP3, o eMusic por exemplo já é o segundo maior site de venda de música online, atrás apenas da iTunes Store. Tem 2 milhões de música no acervo. E vende MP3 sem DRM. Quem compra por lá quer gratificar o artista e a gravadora que não tiveram medo de se abrir para a internet. Esse é o verdadeiro “fair play”, expressão usada por Jobs sempre que defende suas idéias sobre música online.