Herbie Hancock e a origem do jazz

Estadão

31 de outubro de 2006 | 17h01

“[O jazz] nasceu, basicamente, como uma expressão criativa da escravidão, é aí que está o começo. É por isso que ele fala da habilidade do espírito humano de pegar a pior das circunstâncias e transformá-la em algo de valor”. Quem diz isso é o pianista Herbie Hancock, que esteve aqui no Brasil para o Tim. Essa declaração está num perfil maravilhoso feito pelo jornal inglês Independent.

Vi o show de Herbie Hancock na sexta passada. Com uma banda enxuta (bateria, baixo, sax e piano/teclado), Hancock fez um bom show, mas não foi o melhor da noite. A cozinha estava perfeita, mas o arrasador saxofonista Chris Potter –que vi há umas duas semanas tocando no quinteto do Dave Holland- estava numa noite pouco inspirada.

Hancock tocou os grandes clássicos, como “Maiden Voyage” e “Watermelon Man”. Preferia ouvir coisas mais novas, mas tudo bem. Só a versão bem diferente de “Dolphin Dance” valeu a noite, que, para mim, havia sido roubada pelo frescor do jazz de Sephano Bollani.

O pianista italiano tocou com um quinteto fabuloso de piano, sax, clarinete, baixo e bateria. Uma banda que pensa junto e rápido, explora bem as dinâmicas das canções e deixa todo mundo aparecer de uma forma natural.

Bom, digressão à parte, quando eu li esse texto do Independent fiquei me perguntando porque eu não li nada tão interessante quanto isso nos jornais daqui. As matérias com o Herbie Hancock e outros jazzistas que vieram tocar no Tim Festival ficaram na burocracia, no perfume, e não foram ao fundo do assunto. Se dependesse dos jornais, eu iria ao show sem nem saber quais eram as formações das bandas que veria, um detalhe fundamental no caso do jazz. Ainda bem que existe a internet…

A foto do Herbie Hancock no Autitório Ibirapuera na sexta passada (27/10) é do Clayton de Souza, do Estadão

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