Bonnie "Prince" Billy

Estadão

03 de outubro de 2006 | 18h36

Bonnie “Prince” Billy, o alter ego mais produtivo de Will Oldham, vinha lançando uma série de trabalhos colaborativos, como o excelente álbum SuperWolf, com o guitarrista Matt Sweeney, e o disco de covers The Brave and the Bold, com o Tortoise, ambos lançados em 2005. Mas, sem contar o disco ao vivo do ano passado, Bonnie “Prince” Billy não soltava nada de novo só seu desde Master and Everyone, de 2003.

Agora ele volta solo com The Letting Go e avança bastate em relação a Master and Everyone, principalmente na sonoridade. A base do disco continua o blues e o folk, mas é bom lembrar que Will Oldham dificilmente se encaixa nessa nova onda de freak folk. Suas músicas não são nada psicodélicas e pastorais. São antes retratos sombrios dos norte-americanos fora do mapa, sempre de uma perspectiva claustrofóbica, intimista, cortante.

The Letting Go foi gravado na Islândia com Valgeir Sigurosson, que, além de fazer aqueles discos absurdamente lindos do Múm, ainda tem colaborado muito com a Björk em seus últimos trabalhos. Sigurosson consegue deixar o som do disco cristalino, realçando tanto o violão de Oldham quanto a sua voz ensopada em whisky. E acerta nos arranjos de corda, principalmente em “Cursed Sleep”, e em criar atmosferas etéreas usando a voz de Dawn McCarthy, do Faun Fables. Mesmo nos momentos mais simples do álbum, como a linda balada “I Call You Back”, dá para ver a mão de Sigursson nos arranjos espaços, com as intervenções reconfortantes dos de metais.

É um disco para ouvir muitas vezes por dia.

Nota: 9

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