A capital tecnológica da Índia

Estadão

09 de agosto de 2006 | 09h11

Depois de visitar o norte da Índia, com seu calor de matar, passei a manhã e o começo da tarde em Bangalore, uma cidade muito parecida com as da América Latina e com um clima bem ameno.

Claro, o trânsito é caótico como em toda a Índia. Mas ainda assim é muito mais organizado do que na pequena Agra. Aqui, vi pela primeira vez uma cidade em que há, de fato, um crescimento visível da classe média. Esse crescimento se reflete, inclusive, no número de carros circulando pela cidade.

Fui visitar o centro de pesquisas da Microsoft na Índia, que é um dos três que a empresa mantém fora dos Estados Unidos. O diretor do centro é o professor P. Anandan, esse da foto. O foco é em pesquisas que tenham impacto na comunidade local e vi alguns projetos bem interessantes, que têm tudo a ver com o Brasil.

O mais legal, para a nossa realidade, é um projeto para empregadas domésticas analfabetas conseguirem emprego usando o computador. Em vez de letras, toda a navegação é feita por comando de voz e por desenhos. Dessa forma, é possível que uma pessoa que queira se candidatar a uma vaga possa escolher um bairro, vendo tanto um mapa quanto fotos de prédios conhecidos no local, e ver as ofertas de emprego nesse local. Na tela, ela pode ver, em desenhos, qual é a carga horária, todas as funções que ela terá de desempenhar e qual é o pagamento oferecido. Clicando nos desenhos, ela pode ouvir a descrição das tarefas e o endereço para onde tem de ir.

O projeto foi testado nas favelas daqui, e as pessoas conseguiram usar o sistema sem dificuldade. Claro que isso é pesquisa básica, para chegar ao mundo real é preciso levar em conta uma série de questões, como segurança, referências, acesso à web etc. Mas como idéia de inclusão digital de fato, achei muito interessante.

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