5 motivos para amar e mais 5 para odiar Jamie Cullum

Estadão

18 de agosto de 2006 | 20h01

O jovem cantor de jazz açucarado Jamie Cullum vem a São Paulo no 5 de setembro para tocar no Via Funchal. E o show terá participação de Maria Rita. Ultimamente, gente que eu respeito me surpreendeu ao defender a utilidade pop de Cullum para a renovação do jazz.

Eu, basicamente não acredito nisso. Então, abaixo vou apresentar 5 motivos alegados por amigos para ouvir esse garoto inglês. Como sou um pouco mau-humorado, rebato com os meus 5 motivos pessoais para passar longe do bonitón

O que me disseram:

  • Ele é a reencaranção do Sinatra
  • Ele consegue trazer a música pop de hoje para o universo do jazz
  • Ele é bonitão
  • Além de cantor, ele é um exímio pianista
  • Ele é um compositor de jazz de mão cheia

O que eu penso disso:

  • Bom, pobre Sinatra. Acho que as relações com a máfia realmente causaram um dano irreversível às suas vidas posteriores. Afinal, Cullum já é a sua segunda reencarnação na esfera do jazz pop. Alguém lembra do Harry Connick Jr? Isso é que é bad karma!
  • Nada contra incluir elementos do pop no jazz. Pelo contrário. O jazz é também, a seu modo, música pop. E hoje há grandes jazzistas que conseguem incluir o canções pop em seu repertório sem soar ridículos. Basta ouvir Brad Mehldau tocando Radiohead ou Dave Douglas gravando Björk. Isso sem ser piegas ou meloso. Confundir pop com melodia fácil e gosto popular com açúcar em doses fatais para diabéticos só tem um nome: desinformação.
  • Bom, nesse quesito eu prefiro ver uma boy band qualquer. Afinal, aí eu tenho pelo menos uns cinco bonitões para distrair o olhar.
  • Cullum diz ter se inspirado em Oscar Peterson e Dave Brubeck para tocar piano. Há anos tenho Peterson entre os meus favoritos e tenho alguns discos de Brubeck na minha coleção. Dá para dizer que eu conheço um pouco mais do que “Take Five” ou do qualquer outra música de Time Out. Gostaria que alguém mais gabaritado me explicasse onde a técnica de Peterson ou o senso de inovação ritmica de Brubeck ecoam no piano ultrasimplificado de Cullum…
  • Haha. Deixa pra lá.

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