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Seu cachorro está feliz em um local pet friendly?

Cris Berger

29 de novembro de 2021 | 07h00

Eu tinha um cocker caramelo, o Cozumel. Ele latia sem parar, fazia xixi onde bem queria, mordia se fosse contrariado (inclusive, pessoas da família) e avançava em outros cães. Boa parte da vida do Cozu foi dentro de casa, porém quando nos mudamos de Porto Alegre para São Paulo, criei o Guia Pet Friendly e meu trabalho era mapear a cidade atrás de locais que aceitam pets. 

Cris Berger e Cozumel. Foto Arquivo Pessoal

Vou dividir com vocês o meu erro com o Cozumel e os conselhos que a expert em comportamento animal Halina Medina do canal Tudo sobre Cachorros tem para nos dar quando a pergunta é: meu cachorro está feliz em um local pet friendly

Halina Medina e sua cachorra Cléo/arquivo pessoal

Nossa primeira visita a um café pet friendly

Minha primeira saída com o Cozumel foi um café no bairro dos Jardins. Lembro que eu não sabia o que fazer, pois todo cachorro que passava na calçada ele latia enlouquecidamente e, obviamente, criava uma poluição sonora desagradável no ambiente. 

O Cozumel estava incomodado, mas eu não entendia nada de comportamento animal e minha reação foi de repreendê-lo, sem saber que eu estava agindo da pior maneira possível. Afinal, ele ganhava a minha atenção e eu reforçava seu comportamento errado considerando que estávamos em um local com outras pessoas. 

 “Se um cachorro não for socializado previamente da maneira certa e gradativamente, com o acompanhamento correto, e apresentar um comportamento reativo (agressivo) com pessoas desconhecidas, crianças e outros cães, ele não será feliz em um local pet friendly” ressalta Halina. Se eu soubesse disso, não teria exposto o Cozu a um ambiente que ele nunca havia sido preparado para estar. Sim, eu estava impondo ao meu cachorro, que tanto amava, um estilo de vida que provavelmente não teria sido escolhido por ele. 

A shar pei Ella (minha sócia pet no blog e Guia Pet Friendly) chegou depois do Cozu falecer de complicações decorrente da idade, ele já tinha 16 anos. A Ellinha começou a frequentar locais pet friendly com 7 meses de vida e foi altamente socializada com outros cães e pessoas, além de ser exposta a locais cheios e barulhentos. Sem saber, eu fiz tudo certo. Hoje, ela deita no seu colchonete e dorme boa parte do tempo que ficamos em um restaurante. Quando está acordada, observa o movimento e faz questão de cumprimentar todos os cães que passam, momento que seu rabinho abana sem parar. 

Ella tranquila em cima do seu colchonete. Foto Cris Berger/Guia Pet Friendly

Como saber se meu cachorro está estressado?

A Halina ensina pelo seu canal do YouTube a como detectar quando seu cachorro está estressado e ressalta: “Há cães acostumados com multidões e ficam bem. Outros não foram apresentados a estes estímulos e podem sentir-se mal. E também existem os casos de pets socializados que você percebe que estão estressados e preferiam estar em outro lugar. Não force seu cachorro se ele não está feliz, pois pode ser da natureza dele não gostar de ficar fora de casa, em contato com outras pessoas e cães” salienta a comportamentalista. 

Neste vídeo, Halina mostra os sinais que seu cachorro dá quando vive uma situação de estresse. Fique atento a bocejos longos, latidos excessivos, choros, salivação, lambeção, pupilas dilatadas, agitação, urina fora do lugar e de hora, diarreia, não aceitar petisco, rosnadas e por arfar sem estar calor e tremer sem estar frio. Um cachorro tranquilo dorme. Inclusive, aqui vai mais um conselho da Halina: “quando ele estiver quietinho faça um carinho para reforçar o comportamento e mostrar que é assim que ele deve ficar”. 

Faço minhas as palavras da Halina: “Se o seu cachorro está incomodando outras pessoas e cães, cheirando, brincando, montando ou latindo excessivamente não force e retire-se. Uma coisa é dar uma latida. Outra é latir o tempo todo, estranhar crianças ou rosnar para as pessoas. Estes sinais mostram que ele não está preparado para frequentar um local pet friendly. Mesmo que o estabelecimento aceite pets, o cachorro deve ser sociável e dócil.”

Apesar de eu ser levantar a bandeira do movimento pet friendly, incentivar que mais locais aceitem os pets e pessoas vivam com seus cães, também entendo a importância de respeitar cada cachorro. Por isso, criei os termos Roots (para os cães com bastante energia) e Nutellas (tranquilos), que indicam as diferentes personalidades e necessidades dos cachorros.

Creio que agora vale considerar um terceiro perfil: do pet caseiro que prefere sua caminha e companhia da família de humanos. Não há nada de errado em seu cachorro ficar um período sozinho em casa, que é seu porto seguro. Se eu vivo 24X7 (24 horas por dia e sete dias por semana) com a Ella é porque a eduquei para isso e se adaptou bem. O que importa é o bem-estar deles, portanto, leve sempre isso em consideração antes de frequentar restaurantes e hotéis. O preparo é fundamental para o sucesso da operação.

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