Será o pet um bom presente de Natal?
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Será o pet um bom presente de Natal?

Cris Berger

21 de dezembro de 2021 | 11h11

Todo o ano é a mesma coisa: correria para comprar os presentes de Natal para as crianças e amigos secretos. Isso quando a lista de compras não engloba a família inteira. A partir do dia 26, começam as trocas: é a calça que não serviu, o vestido que não é bem a sua cara. 

O problema é quando o presente se trata de um pet, seja ele cachorro, gato, coelho, hamster (e por aí vai), que não são de pelúcia e vão precisar de cuidados e do seu tempo. Sem mencionar, obviamente, o seu amor e dinheiro, com gastos fixos por mês, fora os imprevistos. Não é um presente que possa ser simplesmente trocado no shopping por uma blusinha. 

Pet Ella Foto Cris Berger/Guia Pet Friendly

Cães necessitam de mais atenção ainda, pois são seres que precisam de companhia. É preciso brincar e levar para passear, pois um cão sem socialização terá sérios problemas comportamentais. 

Se na minha opinião ter um cachorro é a melhor coisa do mundo? Sim, é. Se todo o esforço e gasto financeiro compensa? Cada minuto e centavo. Porém, isso é algo particular e deve ser uma decisão consciente, analisada e planejada.

Portanto, tire o pet da sua lista de presentes: ele corre o risco de entrar no setor dos devolvidos e, neste caso, estamos tratando de uma vida, que sente dores e tem sentimentos.

Realidade das ONGS

E não pense que caso do “presente” não der certo é só levar em uma ONG: elas estão abarrotadas de cães e gatos. No Brasil, há 78 milhões de pets em busca de um lar. Segundo a ONG Ampara Animal, na pandemia houve aumento de 30% na adoção, porém entre julho de 2020 e agosto de 2021 o abandono cresceu 61%. No mês do Natal é realizado o projeto Dezembro Verde, que visa conscientizar as pessoas sobre o abandono animal (vale lembrar, inclusive, que é crime, conforme a lei federal 9605 de 1998). 

Casos para pensar

Vamos considerar que você é mãe de uma criança e ela é apaixonada por animais e pede todos os dias por um pet. Eu cresci com cachorros em casa e foi maravilhoso. Apenas saiba que a responsabilidade será sua, mesmo que ela diga que vai cuidar dele: é você que alimentá-lo de 1 a 3 vezes por dia, conforme o caso. Caso ele fique doente, deverá levá-lo ao veterinário. Também tem os cuidados recorrentes com antipulgas, vermífugo e vacinas.

Gatos são mais independentes, mas cachorros precisam sair para passear diariamente. E quando você for viajar alguém deverá ficar com ele ou deverá escolher hotéis e pousadas pet friendly e, neste caso, seu pet deverá ser educado para poder frequentar estes estabelecimentos. 

Casais de namorados apaixonados, jurando amor eterno, o que pode ser mais fofo que um filhotinho com um laço vermelho enorme no pescoço? O que vai acontecer quando o amor acabar? Com quem vai ficar o pet? Recentemente, vi um cachorro lindo, de raça, para adoção porque nenhuma das partes quis ficar com as lembranças que ele trazia.   

É comprovado que animais de estimação fazem bem para pessoas que já chegaram na melhor idade, mas o que vai acontecer se ela falecer? Quem vai cuidar do pet? A família precisa pensar nisso antes de presentear um idoso com um bichinho, seja ele qual for, imaginando que um cão e gato, dependendo da raça e porte, vive uma média de 15 anos. 

Pet não é presente com chance de devolução

Os pets têm sentimentos, como já mencionei, e se apegam aos seus tutores. Eles não podem ser vistos como objetos ou algo descartável. Um dado curioso da Comissão de Animais de Companhia (COMAC): os pets chegam nos lares por meio da adoção ou como presentes. 

Você até pode presentear com um pet, apenas tenha certeza de que o futuro tutor deseja esta responsabilidade e que o perfil do animal em questão combina com o dele. 

Claro, há casos onde tudo dá certo, como aconteceu com a analista de RH Salvatella Letícia, que ganhou o spitz alemão Lucky: “Nunca tinha dito cachorro na vida e hoje vejo que foi e será o melhor presente que já recebi”.

Eu adotei a Ella (minha sócia pet no blog e Guia Pet Friendly) sem pensar no que estava fazendo, foi o ato mais irresponsável e assertivo da minha vida. Porém, ao adotar um novo pet (temos planos da família aumentar em breve), vou procurar um cão que combine com a personalidade tranquila da Ella e nosso estilo de vida. 

Já o SRD Tonhão não teve a mesma sorte: “Ele foi presente de aniversário para um homem que o deixou amarrado em uma grade nos seus primeiros sete meses de vida. Quando o resgatamos, ele não queria descer do carro de tanto medo”, explica o advogado Werner Grau, que é conselheiro do app de adoção PetPonto.

Foto: Tonhão, o presente que foi devolvido / Arquivo PetPonto

 

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