Queremos levar os pets na cabine do avião
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Queremos levar os pets na cabine do avião

Cris Berger

18 de outubro de 2021 | 03h02

As mortes dos cachorros golden Zyon (14 de setembro) e do american bully Weiser (14 de outubro) ao serem transportados em voos da Latam tomaram conta das redes sociais nas últimas semanas, causaram comoção coletiva e indignação. Com isso, a empresa suspendeu por 30 dias o transporte de cães como carga viva no porão das suas aeronaves. É um passo, fato. Porém, pequeno diante do absurdo de ter vidas perdidas. Afinal, estes cães para os seus tutores não eram um objeto qualquer e, sim, parte da família. O que realmente precisamos mudar, com absoluta urgência, são as regras das companhias aéreas brasileiras sobre o transporte de cães nas aeronaves.

O delegado Bruno Lima e deputado federal Fred Costa (Patriota-MG), que militam na causa de proteção animal, exigem retratação da LATAM, que receberá a visita deles na próxima sexta-feira (22/10): “Queremos partir para uma legislação federal que proíba o transporte animal como bagagem”, afirma o delegado Lima.  

O cachorro Zyon, que morreu em um voo da Latam. Foto Reprodução redes sociais

Movimento pet friendly

Eu sempre quis que meus cachorros estivessem comigo o tempo todo. Isso, muito antes do movimento pet friendly começar. Confesso, nunca imaginei que um dia eu viveria com a Ella (minha sócia pet no Guia Pet Friendly e neste blog) 24 horas por dia e sete dias por semana como faço agora. Como eu sou feliz! 

O mundo mudou, os pets ganharam o posto de filhos e os estabelecimentos comerciais passaram a vê-los como clientes. Hoje, se um hotel e restaurante não são pet friendly, perdem o público que não aceita mais terem seus cães barrados na porta.

As companhias aéreas terão que mudar

Até quando as companhias aéreas não aceitarão cães acima de 8 quilos a bordo? Veja bem, elas permitem cachorros de pequeno porte dentro de uma caixa de transporte que deve ser colocada embaixo do assento da poltrona da frente. Foi criado um protocolo para contemplar este porte de cão. Porém, há 40 raças de tamanhos médio e grande, que não podem ser ignoradas, contra 20 de pequeno porte. Se um dia foi encontrada uma forma de transportar os pets pequenos dentro da cabine, também tem que existir para os maiores. Não faz sentido?

Educação

Não estou falando, de forma alguma, que devem ser liberados todos os portes e raças sem antes de regras serem criadas. Nem todos os cães estão aptos a voar a bordo. Mas todos os cachorros treinados poderão fazê-lo. A grande questão está na educação que o tutor dará para o seu pet. Ou seja, existe a necessidade de aprendizado do tutor, pois é dele a responsabilidade de como o seu cão irá se portar.

Uma vez que o cachorro obedeça comandos, esteja preso na guia e comporte-se de forma sociável com outras pessoas e animais, não há motivo plausível para não transportá-lo na cabine. 

Regras de segurança

Obviamente, é fundamental que regras e cuidados de segurança sejam elaborados. Na minha opinião de assessora de locais pet friendly e CEO da Universidade Pet Friendly, indico que cada aeronave estabeleça um número de cães por voo e assentos específicos para eles, com capas protetoras, cintos de segurança e máscaras de oxigênio. Eles devem embarcar depois e sair antes dos demais passageiros. O ideal é que as primeiras poltronas da aeronave sejam pet friendly.

Laudo do adestrador e vacinas

Também é necessário que um documento seja assinado pelo adestrador do passageiro canino que comprove que ele é treinado e sociável. Estes profissionais devem ser cadastrados nas companhias aéreas para garantirem a veracidade das informações e evitar laudos fraudulentos.

A apresentação da carteira de vacinação com as vacinas V8 ou titulação e contra a raiva devem estar em dia. Não há como controlar, mas na lista de pré-requisitos devem constar o uso de antipulgas e vermífugos. 

Uma vez que este protocolo seja aplicado, não haverá mais mortes de cães transportados como carga nas companhias aéreas. Há meses tento falar com Latam, Gol e Azul propondo uma conversa. Apenas a Gol se propôs a falar comigo, porém a reunião nunca foi marcada, apesar das minhas inúmeras tentativas.

Guia de comportamento

Mesmo com um cão sociável e obediente, os tutores devem receber um guia de bom comportamento indicando como devem se preparar para voarem com seus pets. Alguns conselhos valiosos: 

 

  • Xixis: o cachorro deverá fazer xixi antes de embarcar, o que levará os aeroportos a terem uma área específica. Não é recomendável dar água durante o voo. Em alguns casos, indica-se o uso de uma fralda própria para os pets e sempre ter um tapete higiênico na bolsa
  • Alimentos: apenas dar comida no caso de vôos longos 
  • Brinquedos: Levar um brinquedo para distraí-los 
  • Petiscos: o ato de mastigar alivia a pressão nos ouvidos durante a decolagem e aterrissagem
  • Som forte: antes de voar, expor os cães ao som forte das surdinas (por YouTube ou Spotfy) para não se acostumarem aos barulhos 
  • Guia e cinto: deixar claro que o cão deve estar o tempo todo preso na guia e no cinto de segurança dentro da aeronave

O que não seria permitido 

Os cães que voam a bordo não podem latir incessantemente, rosnar ou morder outra pessoa ou animal. Estes são comportamentos de cães que não foram treinados e estão incomodados por situações externas. Os xixis também devem ser controlados e os tutores preparados para os casos de acidentes usando fraldas nos seus pets e carregando um tapete de higiênico na bolsa.   

Os cães não são carga e não podem mais ser vistos como tal. O movimento pet friendly está em franco crescimento em todo o mundo e as companhias aéreas precisam rever suas regras ultrapassadas e, mais do que tudo, pararem de colocar em risco a vida de cães que, como já foi mencionado diversas vezes neste texto, são como filhos. 

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