Pitbulls, sharpeis e o dilema das raças agressivas
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Pitbulls, sharpeis e o dilema das raças agressivas

Cris Berger

28 de junho de 2021 | 03h00

Quando eu dei um Google para pesquisar sobre a raça sharpei, mal pude acreditar na descrição. Olhei para a Ella (minha sócia pet na coluna) e perguntei: por que você é tão carinhosa? Onde ficou a agressividade da tua raça? Será pelo amor imenso que eu dou a ela?

A resposta é não. Eu socializei a Ella desde cedo, sempre dei limites e faço questão que obedeça os meus comandos. Resultado? Tenho um pet educado e sob controle.

A educadora canina Emmanuelle e seu pitbull. Foto Arquivo Pessoal

Há bastante tempo quero falar sobre raças apontadas como perigosas. Assim como tamanho não é documento, a raça também pode não ser – desde que exista um trabalho sério de educação canina.

Toda vez que um hotel me pergunta se deve proibir a hospedagem de um pitbull, respondo: depende.
Recentemente, as redes sociais foram agitadas pela carinha fofa do pitbull Sebastian, que sabemos ser um cão dócil. Porém, para entrar em um parque indoor para cachorros da capital paulista foi exigido o uso da focinheira. Neste momento, criou-se a polêmica. Eu entendo a frustração da tutora do Sebastian, mas também sei que o local estava correto em seguir a lei 11.531, que exige a focinheira para algumas raças.

E, aqui, nos deparamos com o “bom paga pelo mal”. No caso, mal-educado e malconduzido. Como resolver esta questão? Educando! Fazendo as pessoas entenderem que seus pets devem ser ensinados para viverem em sociedade. Conversei então com a educadora canina Emmanuelle Moraes, da DogUrbano. Minha primeira pergunta foi: o pitbull é perigoso?

“Os cães que forem socializados até os seis meses, na chamada janela de ouro, de forma correta e adestrados para obedecerem aos comandos dos seus tutores, podem se tornar adultos sem agressividade. Caso contrário, a potência da mordida de um pit passa a ser uma temeridade. O fato de terem sido geneticamente trabalhados para não serem sociáveis com outros cães é algo que não podemos esquecer”, explica Manu.

Se você é tutor de um pit ou deseja ter um, invista em treinamento. Nenhuma raça deve ser demonizada, mas não podemos fechar os olhos para as características delas. É necessário paciência para os treinos diários e para as repetições sem-fim. É possível ter um sharpei como a Ella ou um pit como o Sebastian, mas existe um bocado de dedicação para construir um cão educado, seguro e tranquilo.

É JORNALISTA, FOTÓGRAFA E AUTORA DO GUIA PET FRIENDLY

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