Pets a bordo: quais podem viajar na cabine?
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Pets a bordo: quais podem viajar na cabine?

Cris Berger

23 de novembro de 2020 | 00h03

Já frequentamos pousadas e hotéis com os pets, eles têm cinto de segurança próprio no carro e a mala deles é a maior do que a nossa. Então, me diz: porque eles não podem voar a bordo das aeronaves conosco? Você pode estar pensando: “Eu vi um cachorrinho pequeno dentro do avião”. Sim, isso mesmo, pequeno. Bem pequeno.

A Latam limita o porte dos animais a 7 quilos, a Azul a 5 e a Gol a 10, incluindo o peso da caixa de transporte, que deve ir embaixo da poltrona à sua frente. E o pet não pode ser removido dela durante todo o voo. A empreendedora Jamila Mattos leva o spitz alemão John em todas as viagens, mas não se mostra muito feliz: “O espaço é apertado e mal consigo acomodar meus pés, por isso, sempre reservo o assento confort. O John é supertranquilo, mas seria bom deixá-lo um pouco no meu colo, principalmente em um voo mais longo”.

 

Jamila Matots e John: sempre juntos. Inclusive, a bordo.

 

O John ainda consegue viajar com sua tutora, já a sheepadoodle Maggie não tem tanta sorte: apesar de estar dentro do peso exigido, seus 55 centímetros ultrapassam a altura da caixinha. Todo fim de ano é o mesmo dilema: sua tutora, a jornalista Fabiana Camargo, quer passar as festas com seus familiares no Rio Grande do Norte, mas não pode. “É inviável viajar sem a Maggie. Sempre passo o réveillon longe do meu marido.” Eu e a Ella (minha sócia na coluna e filha pet) vivemos um drama parecido para ir a Porto Alegre, onde moram meus pais.

Então, vem a pergunta: por que as aéreas não permitem cães maiores dentro das aeronaves? Não espero que essa mudança aconteça sem uma série de regras e exigências. Inclusive, acho que são fundamentais, mas não olhar para essa demanda e necessidade é fechar os olhos para um novo estilo de vida mundial.

No meu ponto de vista, passageiros de quatro patas deveriam apresentar certificado de adestramento, passar por um teste comprovando que estão aptos a voarem sem incomodar outros passageiros, ter um cinto de segurança próprio e assentos exclusivos. Pedi para entrevistar um porta voz de todas as companhias brasileiras e a única que disponibilizou foi a Gol, que criou o Pet na Cabine em 2015 e, entre 2017 e 2018, teve um aumento de 47% de pets a bordo. “A Gol acompanha as tendências e estamos dispostos a estudar o tema”, disse Ricardo Oliveira, gerente de produtos. Ele prometeu que abordaria o assunto com seu time. Cobrarei a promessa e espero voltar com novidades.

Abaixo assinado

Um abaixo assinado, com mais de 10 mil assinaturas, foi apresentado ao Congresso em busca de uma lei regularizando a presença de pets maiores dentro da cabine. A limitação de tamanho está excluindo 80% das raças, ou seja, a esmagadora maioria dos tutores. O texto de embasamento do documento cita a o Art. 5, inciso XV, da Constituição Federal de 1988 que defende o direito de ir e vir do cidadão. E, claro, ressalta que os animais de estimação são considerados parte da família, o que fundamenta o desejo e necessidade de tê-los junto de seus tutores. Infelizmente, a iniciativa não deu resultado.

É JORNALISTA, FOTÓGRAFA E AUTORA DO GUIA PET FRIENDLY

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