Mãe de pet: a ciência explica
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Mãe de pet: a ciência explica

Cris Berger

09 de novembro de 2020 | 03h00

Por contingências da vida, não tive filhos humanos. A maternidade nunca fez meus olhos brilharem, mas eu achava que em um determinado momento sucumbiria à pressão da sociedade. Os anos passaram, o trabalho sempre foi minha prioridade e meus cachorros ocuparam essa lacuna. Fiz um levantamento pelo Instagram do Guia Pet Friendly: 9 de cada 10 seguidores admitem chamar seus pets de filhos. O tema é polêmico e, por isso, conversei com três mulheres que têm em comum o amor por cães e gatos, mas vêm o ofício de ser mãe de forma distinta.

Para a fisioterapeuta Morgana Sottomaior, não há comparação entre o amor que ela sente pelos seus três filhos em relação aos três pets. Morgana ensina Athos, Andreas e Allan a respeitarem e cuidarem dos animais. Adora chegar em casa e ser recebida pelo dachshund Guri, a saluki Odin e a gatinha SRD Coca. Brinca com eles, os alimenta, leva ao veterinário e para passear, mas deixa claro que o amor é completamente diferente.

Já a farmacêutica Márcia Pozo, mãe do shiba Thor e do Miguel, de 1 ano, afirma que o amor é idêntico. “Não sou mais mãe com o Miguel. Sinto que tenho responsabilidades diferentes. Ser mãe é cuidar da saúde, do bem-estar, educar e amar, seja uma criança gerada, adotada ou um pet”, pontua.

Márcia com Miguel e Thor

O discurso da empresária Andreia Oliveira é outro. Ela optou por não gerar um filho, mas garante que é mãe de seus dois labradores: Manolo e Meraki. Quando sofreu um assalto, a primeira coisa que fez foi tirar seus cães do carro (que acabou levado pelos ladrões). Ela afirma que teria colocado a sua vida em risco, mas que jamais os deixaria para trás.

Em 2015, a revista Science publicou um estudo do departamento de biotecnologia da Universidade Azabu, no Japão, sobre a ocitocina, conhecida como o hormônio do amor, responsável por criar vínculos afetivos e de confiança. A pesquisa investigou os níveis do neurotransmissor em tutores e seus cães. E, vejam só, o hormônio também aumenta no cérebro motivado pela relação dos humanos com seus pets. No fim das contas, se os pets são vistos como filhos ou animais de estimação, mas recebem amor, carinho e cuidado, é o que importa. Mas não há como negar que é bom saber que a ocitocina cumpre bem seu papel nas tais mães de pet, grupo do qual faço parte com o maior orgulho. Viu, Ella?

É FOTÓGRAFA, JORNALISTA E AUTORA DO GUIA PET FRIENDLY

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