Mãe de gato e mãe de cachorro
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Mãe de gato e mãe de cachorro

Cris Berger

06 de maio de 2022 | 09h44

Que mãe de pet é mãe todo mundo sabe. O assunto de hoje é sobre as diferenças entre as mães de gatos e as mães de cachorros. Pausa. Quem disse que tem diferença? Mãe é mãe, então, é melhor reformular – vamos entender as atribuições das mães de gatos e das mães de cachorros. Afinal, ser mãe é cuidar. E para falar de gatos convidamos a empresária do gato Miu, Karoline Freitas, que por acaso também é mãe dele. 

Foto: Karoline e Gato Miu. Foto: Arquivo pessoal

Veterinário

Quando eu perguntei para a Karol quais eram os cuidados com um gato, ela respondeu: ir ao veterinário para check ups e vacinar. Até aqui, igual a Ella. O que muda é a dificuldade nesse transporte considerando que os gatos não gostam de sair de casa e uma ida ao veterinário para um cão pode significar passeio – pelo menos até chegar na porta. A Ella (minha sócia pet e filha), em especial, transita tranquilamente nos exames e consultas. 

Apesar dos cachorros não falarem – o que é um tormento para as mães de cães, pois temos que intuir onde e o que dói, os gatos são ainda piores, eles escondem o jogo e só demonstram quando a doença está avançada. Por isso, os check ups são fundamentais e qualquer pequena mudança de comportamento deve ser investigada. 

Alimentação

E a alimentação? Os gatos comem ração ou alimentação natural, assim como os cães. Os sachês para os felinos, que não bebem água naturalmente, ajudam na hidratação por terem água na composição. Inclusive, a água parada não funciona para os gatos, tem que ser corrente. E o resto de comida do almoço não é aceita no jantar. Gatos poderiam ser críticos gastronômicos. Cachorros, ao meu ver, me parecem menos criteriosos.   

Escovação e banho

Os gatos precisam ser escovados para não ingerirem pelos ao se lamberem, o que acontece frequentemente. O bom é que as auto lambidas os mantém limpos. Sim, os banhos para os gatos é coisa rara. Na casa da Karol uma das poucas vezes que o Mu tomou banho foi quando aventurou-se na churrasqueira – ocasião em que entrou branco e saiu preto. A escovação também ajuda a manter a casa sem excesso de pelos. O uso de uma boa escova faz com que as escovadas sejam mais espaçadas. Até já tive uma escova, mas nunca usei na Ella. Talvez por ter pelo curto.

Xixi e cocô

Os xixis e cocôs dos gatos são feitos nas caixas de areia, ou seja, não há necessidade de sair de casa. Alguns cães fazem as necessidades nos tapetes higiênicos. A dona Ella só faz na rua e, de preferência, em cima da grama. Nessa hora queria que ela fosse um gato, pois já desci (moramos no nono andar) no meio da madrugada para ela fazer xixi. Até mesmo quando está com dor de barriga não faz dentro de casa. A caixa de areia dos gatos devem ser limpas assim que as necessidades são feitas, por isso, recomenda-se ter uma caixa a mais do que o número de gatos residentes. A Karol costuma as colocar no banheiro e na sacada e afirma que uma areia de boa qualidade não deixa cheiro. 

Casa gatificada

Veja só, deixem os cachorros saberem! Os gatos, diferentes do cães, precisam de um cenário construído para eles. Na decoração da casa da mãe de gato deve ter arranhadores para os felinos afiarem as unhas. A Ella ia gostar bem mais do que ter de cortá-las. Como eles gostam de ficar no alto, para ver o mundo de cima – em uma visão privilegiada e estratégica – recomenda-se ter “camas aéreas”, em outras palavras, prateleiras altas. A Ella, em casa, só tem uma cama (ok, duas e ainda dorme na minha) e um comedouro duplo e elevado.

Eu telei o parapeito da varanda do meu apartamento porque é vazado, mas deixei a parte de cima aberta, mesmo estando levemente desconfiada. Para um gato, isso não seria uma opção, pois eles não têm medo de altura e são incrivelmente curiosos. Os gatos de rua vivem menos do que os de apartamento e casas por estarem mais suscetíveis a atropelamento, envenenamento, ataque de cães e doenças transmitidas por outros gatos que não sejam vacinados. 

Brinquedos

Essa coisa de jogar e trazer a bolinha é para os cachorros. Além, de roer, é claro. Os gatos estão aqui para caçar, portanto, a diversão para eles é qualquer objeto em movimento que possa representar uma presa. A turma da Karol gosta de varinhas, ratinhos, insetos eletrônicos, tampinhas de garrafas, borracha de amarrar o cabelo e cadarços. A Ella curte ossos e para por aí. O que gatos e cães têm de similar? Eles podem engolir brinquedos pequenos, portanto, mães de cachorros e gatos devem estar de olho na brincadeira de seus filhos. 

Conselhos da mãe de gato

Em linhas gerais, veja os conselhos que a Karol dá para quem quer ser mãe de gato ou já é: “Telar todas as rotas de fuga e não ter plantas tóxicas para gatos. Gatificar a casa com toquinhas e caixas para eles sentirem seguros no caso de alguma “ameaça”, sabe como os gatos são… Ter prateleiras altas, se não quiser que eles subam por tudo. Além de arranhadores, evitando que seu sofá seja destruído”.

Gatos e cachorros são amigos?

O Miu, Mu e Morcega não tiveram contato com muitos cachorros, mas a vez que foram apresentados agiram com curiosidade e a Karol imagina que poderiam se tornar amigos. Sobre gostar de outros gatos, ela conta que os adotou separadamente e, hoje, se comportam como irmãos. Os cães divergem entre si, a Ella tem vocação para vereadora e ama todos os cachorros do mundo, porém tem medo de gatos e age com absoluto respeito. 

Personalidade

Cada um é um. Tanto gatos como cachorros têm suas personalidades próprias. Segundo a Karol: “os gatos são companheiros, apegados e gostam de tudo do jeitinho e no tempo deles. Sabem de tudo: se estamos doentes ou tristes, são os primeiros a perceberem. Só quem já conviveu com gatos para entender essa conexão”. Quando eu penso na Ella não consigo classificá-la como um cachorro em linhas gerais. Considero-a absolutamente singular: teimosa, dócil, observadora, maniática, esperta e de bem com a vida. Às vezes, digo que ela é um pouco gato.

Quem são Miu, Mu e Morcega por Karol

“O Miu é super ativo, brincalhão, eterno filhote, traz os brinquedos quando quer que brinque com ele e não é muito de ficar juntinho. O Mu evita qualquer esforço, raramente brinca, prefere carinho, chama pra ficar no sol com ele e tá sempre ao redor da gente. A Morcega troca tudo por uma soneca, se a gente fica acordado até tarde ela nos chama pra ir dormir e ama carinho o tempo todo”. 

Mu, Miu e Morcega. Foto: Arquivo pessoal.

Quem é a Karol pela Karol

“Em 2014, eu e o Guilherme, logo depois de irmos morar juntos, adotamos o Miu, que é muito expressivo e sempre amou ser fotografado. Criamos um perfil nas redes sociais com seus pensamentos de gato e as pessoas se identificaram. Em 2015, percebemos que ele ficava boa parte do dia sozinho em casa e, por isso, pegamos o Mu. Um dia saímos para jantar e encontramos a Morcega, já adulta e com fome, o que nos fez mudar de ideia sobre não aumentar a família. No início da pandemia, focamos nosso trabalho na criação de conteúdo para marcas e lançamos nossa loja de produtos para gatos. Hoje nós cinco (humanos e gatos) trabalhamos com as redes sociais do Gato Miu“.

 

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