Delegado dos Animais
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Delegado dos Animais

Cris Berger

12 de abril de 2021 | 03h00

Tenho uma grande admiração pelas pessoas que militam a favor dos animais abandonados e vítimas de maus-tratos. Não consigo me imaginar na linha de frente, meu sangue italiano e dramático (!) não permitiria. Participei de um evento pet com o delegado Matheus Araujo Laiola, da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA). Seu principal ofício é fiscalizar as denúncias de maus-tratos a animais silvestres ou domésticos, além de casos de desmatamento e poluição ambiental. Fiquei intrigada com o seu trabalho e, como jornalista, resolvi investigá-lo. Era o que eu poderia fazer. Divido com vocês o que aprendi e que será válido se nos depararmos com uma situação de injustiça.
Sangue frio, sem dúvida, é o primeiro pré-requisito. Um delegado no Brasil precisa ser formado em Direito. Para trabalhar na delegacia que protege os animais, é necessário amá-los. “Envolve tempo, paixão pela causa, esforço físico e mental”, relata Laiola, que cuida dos 399 municípios do Paraná.


Desde 2019, ele fez 3 mil apreensões de animais que estavam sofrendo algum tipo de crueldade, mas lembra o caso de Mairiporã, em São Paulo, como o mais marcante. “Recebemos uma denúncia anônima, investigamos por quatro meses e chegamos na rinha de pitbulls, onde os animais eram colocados para brigar em série. A atrocidade ganhou destaque na mídia nacional e chocou. “É difícil virar a chave ao chegar em casa. O desgaste emocional é muito grande”, desabafa.
A lei federal 9.605/98 sobre crimes ambientais rege todo o País. No ano passado, foi aprovada a norma, nessa mesma lei, que aumenta o número de anos de prisão para os agressores de cães e gatos. Duas mudanças fizeram efeito no combate à crueldade: a pena de até cinco anos e a voz de prisão nos casos de flagrante.
São considerados maus-tratos: animal passando fome ou sede, sem abrigo (na chuva ou sol escaldante), preso em um local inadequado, ferido ou doente e sem auxílio veterinário, vítima de rinha ou envenenamento. Se você quiser denunciar um caso, fotografe ou grave pelo celular, tenha uma testemunha e busque no Google o telefone da delegacia de proteção animal do seu Estado.
Outro tema polêmico são os animais silvestres tratados como pets (de papagaios a jiboias). O tráfico desses animais no Brasil só perde para o de drogas e armas. A venda ilegal é gigantesca, apesar de ser permitida a compra em uma loja especializada.
Cães e gatos podem ser comprados pela internet ou em uma feirinha de beira de estrada, mas não faça isso, pois sem perceber você está estimulando os canis clandestinos. Se você deseja comprar um pet de raça, visite onde a matriz (fêmea) é criada e tenha certeza de que são bem tratados e de que o canil é idôneo.
“Nós resgatamos o animal e ele vai para uma ONG, protetor independente ou poder público. É tratado e posto para adoção. Uma rede de pessoas de boa fé precisa existir para que possa ter uma qualidade de vida melhor”, conclui o delegado que nos representa.

CRIS BERGER É FOTÓGRAFA, JORNALISTA E AUTORA DO GUIA PET FRIENDLY

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