Cães-guia: conheça o trabalho desses animais
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Cães-guia: conheça o trabalho desses animais

Cris Berger

10 de maio de 2021 | 03h00

Quantas vezes vi um cão-guia ao lado de um portador de deficiência visual e fui lá colocar a mãozinha. Parece que existe um imã entre os loucos por cães (nós) e qualquer cachorro, né? Porém, ao fazer isso, agi errado. Este cão está em pleno trabalho, entregando independência e segurança a seu tutor. Prometo que vou me controlar e nunca mais peço para fazer carinho. Juro.

Marcelo Panico e seu cão-guia Rudy. Foto Arquivo Pessoal

No dia 28 de abril foi comemorado o Dia Internacional do Cão-guia. E, hoje, nossa coluna é sobre eles. Você sabia que o trabalho dos cães-guia existe desde o começo da Idade Média? Atualmente, as raças labrador, golden retriever e pastor alemão são as mais utilizadas: os pré-requisitos é que sejam animais fortes, alertas e inteligentes.

Não estranhe se encontrá-los em algum ambiente onde, normalmente, cães não seriam permitidos. A lei federal 11.126, de 2005, permite que eles entrem em qualquer local, público ou privado, acompanhando de seus tutores.

Como todo trabalhador, o cão-guia também se aposenta, a partir dos 7 anos. “Ele pode ficar com o tutor, porém, sem a função de guiá-lo – outro cão exercerá sua função. Ou pode ser adotado por uma família com quem já tenha afinidade como um parente ou amigo próximo”, explica Thaís Matos, médica veterinária da DogHero.

Quase 4% da população brasileira sofre de algum tipo de deficiência visual, segundo o censo do IBGE de 2010. Uma dessas pessoas é o advogado da Fundação Dorina Nowill para Cegos, Marcelo Panico. Desde 2016 ele é guiado pelo Rudy, um labrador amarelo que o acompanha “em todos os momentos”. “Ele não apenas representa meus olhos como me entrega liberdade. É meu grande amigo e psicólogo. É uma troca maravilhosa”, explica.

Panico afirma que é preciso cultivar a cultura dos cães-guia no Brasil. Eles custam caro, algo estimado em R$ 35 mil para preparar o animal, e o tempo de espera chega a 3 anos. O Instituto Iris trabalha para facilitar o acesso a eles – e espera criar um espaço de treinamento próprio no Brasil. “O Instituto tem um lindo trabalho de multiplicação destes cães para pessoas que precisam ser guiadas”, diz.

É JORNALISTA, FOTÓGRAFA E AUTORA DO GUIA PET FRIENDLY

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