As dificuldades do transporte pet
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

As dificuldades do transporte pet

Cris Berger

06 de setembro de 2021 | 03h00

Todos os dias, eu e a Ella (minha sócia pet na coluna) vamos para o nosso escritório pet friendly, o Spaces, de carro por aplicativo. Assim que a corrida é aceita, envio a mensagem: “tenho um pet comportado e colchonete para proteger o banco do carro”. Uma parte dos motoristas visualiza e responde “ok, entendi”. Cerca de 35% cancelam. O problema mesmo é quando não olham, chegam, resolvem não nos transportar e são grosseiros.

Leve sempre um colchonete ou manta para cobrir o banco do carro. Foto Cris Berger/Guia Pet Friendly

Sempre é importante entendermos o outro lado, que neste caso é dos motoristas. A cada cinco viagens eu escuto o relato do dia que transportaram um cachorro e o carro ficou cheio de pelos. As reclamações também passam por xixis. Eu entendo a dor deles e lamento pelos tutores que não souberem conduzir seus pets.

O app PetDriver oferece  transporte de cães em SP e no Rio. Ele funciona muito bem para quem agenda a corrida sem pressa e usa ocasionalmente. Os motoristas são preparados, os carros têm capa e cinto de segurança, mas há um preço por isso: eu paguei R$ 30 por um trajeto que sai cerca de R$ 10 de Uber. O tempo de espera por um carro pode chegar a uma hora.

Tentei contato com a Uber para saber o motivo que gerou o cancelamento do UberPet e não tive resposta. Ao questionar a 99 sobre a possibilidade de ter um serviço voltado para nós, recebi uma resposta distante das nossas necessidades: “A 99 esclarece que transportar animal de estimação dentro do automóvel é permitido segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), porém, deixá-lo solto ou no colo não é liberado. A empresa é pet friendly, mas a decisão de transporte do animal é sempre do motorista parceiro, exceto em casos de cão-guia, cujo transporte é obrigatório”.

Como a empresa diz também que está atenta às demandas, então, vou aproveitar para sugerir uma conversa: afinal, segundo dados do IBGE de 2015, há mais cachorros (52,2 milhões) do que crianças (44,9 milhões, de acordo com a PNAD de 2013) nos lares brasileiros.

Enquanto aguardamos soluções melhores das empresas de apps, seguem alguns conselhos para sermos bons tutores:

Informe sobre seu cachorro pela mensagem do app

Informar o motorista dá a ele o direito de escolha e evita dissabores. Mesmo que ele não veja a mensagem, você fez sua parte.

Leve seu pet para fazer xixi antes de embarcar

Melhor prevenir acidentes. Alguns cães podem enjoar com o movimento do carro, e é melhor não levá-lo em um carro de aplicativo se for o caso. Mas, de qualquer forma, ande sempre com um tapete higiênico e lenço umedecido na bolsa para garantir.

Proteja o banco do carro

Faça sua parte para não sujar o carro: leve um colchonete ou capa para proteger o banco do carro. E não esqueça o cinto de segurança próprio para o pet para acoplar no carro.

É JORNALISTA, FOTÓGRAFA E AUTORA DO GUIA PET FRIENDLY

Tudo o que sabemos sobre:

animal de estimação

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.