Amigo de treino
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Amigo de treino

Cris Berger

01 de março de 2021 | 03h00

A Ella (minha sócia pet na coluna) nasceu com uma má formação congênita nas patinhas e, por isso, não caminha em solos irregulares, nem por longas distâncias. Eu contorno a situação com um carrinho, que chamo de “pet car”. Ele parece de criança, mas não é. A Ella adora. Brinco que é seu carro alegórico: as pessoas na rua me olham desconfiadas e muitas chamam a Ella de preguiçosa. Raramente respondo. O que importa é a Ella fazer parte do programa – o Parque Ibirapuera é um dos nossos locais preferidos em São Paulo.

Dia desses, cruzei com um homem correndo no Ibirapuera e empurrando um carrinho com um cachorrinho da raça spitz alemão dentro. Meu primeiro pensamento foi: como é bom não estar só! Volta e meia, eu passava por ele e nos cumprimentávamos, até o dia que revolvi pedir seu telefone para conhecer a sua história.

Koji e Flok treinam juntos no Parque do Ibirapuera Foto Cleiton Silva (@gordo13)

O produtor de eventos Carlos Koji corre todos os dias no parque na companhia do Flok. Nos últimos dois anos, eles fizeram exercício juntos sem faltar um dia sequer. Tudo começou com o simples intuito de levá-lo para passear. “Minha filha ganhou o Flok e a empolgação não durou uma semana. Acabei cuidando dele até hoje”, conta. O resultado dessa parceria? Koji emagreceu 30 quilos. Eles participam de vários desafios juntos. Em um deles, a meta era percorrer 100 quilômetros em 1 mês, mas eles fizeram em dois dias e algumas horas.

Como o Flok não tem condições de caminhar, tampouco correr, Koji encontrou no carrinho uma solução de locomoção. “Não há nada melhor do que vento na cara. Creio que os passeios são a melhor parte do dia do Flok. No fim das contas, tenho um dog felizão e ganhei um parceiro de treino. Aliás, o melhor parceiro da vida”, acrescenta o corredor.

Perguntei a ele como as pessoas reagem ao Flok no carrinho. “Me param, pedem para fotografar e dizem que vão enviar para a filha e a neta. A grande maioria curte. Quem olha estranho, eu nem dou bola”, pontua.

É isso aí: vamos levar nossos melhores amigos para ver o mundo em movimento e fazer esporte ao nosso lado. E, quem sabe, também contagiar outras pessoas que têm pets velhinhos ou que não podem nos acompanhar caminhando, mas que adorariam marcar presença no parque ou em outras atividades de lazer. Faço votos.

É JORNALISTA, FOTÓGRAFA E AUTORA DO GUIA PET FRIENDLY

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