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Twitter eleva a audiência das séries nos EUA

Clarice Cardoso

28 de março de 2014 | 19h12

Clarice Cardoso

Qualquer fã de série que seja também viciado em Twitter segue pelo menos uma conta de algum autor, roteirista ou showrunner de seu seriado favorito. Essa é uma estatística que não tenho e que acabo de tirar da minha cabeça, e não é meu caso, mas é comum alguém lançar numa conversa um “fulano disse no Twitter que…”

Foi assim por exemplo com True Detective. O criador e roteirista Nic Pizzolato postou e apagou uma tuitada dúbia que bastou para todo mundo especular se a próxima temporada terá detetives mulheres. (Há alguns anos, assumo, eu mesmo ficava vidrada em tudo o que Shonda Rhimes postava sobre Grey’s Anatomy.)

Acontece que, pelo menos nos Estados Unidos, um estudo da Advertiser Reserach Foundation, da Fox e do próprio Twitter comprovou que séries que investem na rede social tendem a ter melhores resultados de audiência.

A primeira razão é óbvia: trata-se de um canal direto entre o fã e o programa, que cria identificação com a trama e aumenta as chances de o espectador sentar para vê-lo de novo.

A pegadinha é que não basta criar uma conta oficial e sair postando. Só 18% dos espectadores se sentem engajados com perfis assim. O que os fãs querem mesmo é conversar com os atores ou o pessoal da produção. Ao menos foi essa a resposta de 40% dos entrevistados.

A estratégia é entrar direto num fenômeno mundial que só se fortalece na televisão: a segunda tela. Serve para quem quer comentar o que está vendo na hora. (“Ei, @fulano, você mandou muito bem nessa cena”, ou “@Beltrano, não acredito que seu personagem fez isso!”) e também para quem acha que, assim, terá dicas do que pode vir a acontecer no futuro. Uma série que é citada como bom exemplo de estratégia na rede social é Scandal (que será tema do próximo post, se tudo correr como eu espero.)

Ainda assim, os especialistas em mídias digitais dizem que não é para colocar todas as fichas no Twitter: o segredo é usar as redes sociais que exploram a mídia visual, como o YouTube e o Tumblr, com diálogos marcantes, piadas que se destacaram, cenas importantes ou mesmo deletadas.

É claro que se trata de um comportamento específico do público norte-americano, mas não deixa de ser uma boa estratégia para as séries nacionais que querem fortalecer sua base de fãs. Entre os noveleiros, é quase obrigatório seguir Walcyr Carrasco e Glória Perez, por exemplo.

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