TV, tablet e celular: a audiência quer mais multitelas
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

TV, tablet e celular: a audiência quer mais multitelas

Clarice Cardoso

11 de março de 2014 | 14h58

 

Clarice Cardoso

Aquela televisão enorme na sala da sua casa, o celular no seu bolso com tela grande de altíssima definição, o tablet que não reflete a luz. Tudo isso muda o jeito como você consume conteúdo, e, logo, como assiste a séries de TV.

Isso já aconteceu e foi medido pelo Nielsen nos Estados Unidos. Num relatório divulgado recentemente, o instituto revelou que a explosão de aparelhos e plataformas disponíveis nos últimos anos causou um aumento de conexão nunca visto, com consumidores mais engajados. O relatório vai além e crava: temos diante de nós uma nova revolução midiática sem fronteiras definidas.

Explica-se: com todos os seus aparelhos à mão, os norte-americanos consomem uma média de 60 horas de conteúdo em diferentes telas. E escolhem quando e onde vão assistir. Isso mudou radicalmente seus hábitos de consumo, especialmente no que diz respeito à segunda tela (quando você assiste a um programa com o celular na mão, pesquisando por temas que viu lá ou comentando e conversando sobre o que vê nas redes sociais). Ou seja: lá fora, é cada vez mais raro alguém sentar diante da televisão sem um tablet ou um smartphone na mão. Cerca de 47% usam as redes sociais todos os dias. Para eles, comentar a programação da TV é uma extensão natural de assistir. É o que chamamos de segunda tela.

O curioso da pesquisa é que a comunidade hispânica é a mais adepta desse hábito de multitelas – e eles são 47 milhões dos espectadores dos Estados Unidos. Assistem a mais vídeos em seus celulares e tablets do que qualquer norte-americano médio.

No Brasil, a coisa vai mais devagar, até pela diferença de oferta. Mas qualquer um que já tenha pegado um ônibus à noite já viu mais de uma pessoa assistindo à novela ou ao jogo de futebol em seu celular espremido num canto do veículo.

Mais do que isso: quem não correu para as redes sociais para conversar com os amigos depois de algum episódio particularmente explosivo de House of Cards ou, o tema da semana, True Detective?

Mas há um outro lado que pode ser temerário: é divertido ver uma série comentando em tempo real no Twitter ou no Facebook? É. Você interage mais com seus amigos? Sim. Mas perde a experiência de imersão, não está com a atenção totalmente voltada ao que está vendo. Não tenho uma opinião forte sobre isso (coisa rara…), afinal, sou do tipo que está sempre pensando ou fazendo exatas 17 coisas ao mesmo tempo. Os mais conservadores, porém, tendem a torcer o nariz.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.