No Rio, criador compara Homeland à original israelense
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No Rio, criador compara Homeland à original israelense

Clarice Cardoso

14 de março de 2014 | 09h21

Clarice Cardoso

Homeland está patinando para manter o fôlego que tinha na primeira temporada, mas a audácia e a qualidade que demonstrou no começo lhe dão crédito para tentar se encontrar. Por enquanto. (Como o aviso indica: atenção, este texto contém spoilers.)

Talvez a culpa seja do Showtime, que não queria deixar que os roteiristas matassem o Brody (Damian Lewis) antes. Aliás, desde a primeira temporada o canal insistiu nesse personagem, e isso pode justificar um pouco da enrolação na história dele. Agora que foi investido tanto no romance dele com Carrie (Claire Danes), fica a dúvida do que vai ser da história.

Durante um evento do Television Critics Association, nos EUA, em janeiro, o presidente de entretenimento do Showtime, David Nevins, defendeu-se das críticas dizendo que a série foi “brilhante”, e disse que a ida de Carrie a Istambul é uma das possibilidades para o futuro. “O plano é vermos mais Carrie em campo, fazendo o que sabe fazer, e termos Saul (Mandy Patikin) assumindo um papel central”. O personagem deixou a CIA e migrou para o setor privado.

Esta semana, o criador da série que inspirou Homeland, o israelense Gideon Raff, participou de um seminário no RioContentMarket 2014 e falou um pouco sobre a sua produção, Hatufim (Prisioners of War), e da transposição para a TV norte-americana. “Em Israel, Hatufim tem 12 episódios por temporada e eu escrevo tudo e depois gravo. Nos EUA, enquanto escrevo, outro diretor trabalha nas filmagens. Ou seja, a série é escrita enquanto é rodada”, explicou. “Mas tudo que se vê em Homeland que parece Oriente Médio é locação que também foi usada em Hatufim, em território israelense e com a mesma equipe da série original.”

Ele comenta um ponto que levanta a sobrancelha de muitos críticos, que é o momento em que Homeland começou a se distanciar de Hatufim. “A partir da segunda temporada são realmente duas séries bem diferentes. Uma das grandes questões é o personagem bipolar da Claire Daines. Sabíamos que seria um personagem sombrio que faria de tudo para descobrir a verdade, mas a bipolaridade funciona como uma habilidade especial, que cobra um preço alto.”

O custo é perder o foco de uma história que, bem contada, tem tudo para dar certo.

 

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