Músicas dos anos 80 renovam Grey’s Anatomy; ouça
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Músicas dos anos 80 renovam Grey’s Anatomy; ouça

Clarice Cardoso

29 de março de 2014 | 15h33

Clarice Cardoso

A música sempre foi um elemento narrativo fortíssimo em Grey’s Anatomy. E eu sempre fui fã de Grey’s Anatomy. Já estou acostumada a encarar narizes torcidos quando essa informação é revelada. Não me importo: passei com prazer os últimos dez anos, a última década (!), acompanhado esse novelão sobre as paixões, os amores e as intrigas de médicos em um hospital. Todo mundo tem seu guilty pleasure.

Assumo que aceito, não sem certa luta ou senso crítico, todas as reviravoltas novelísticas que a roteirista e criadora Shonda Rhimes inventa. É verdade que, depois de dez anos no ar, a série mudou muito em relação à sua premissa inicial. Por outro lado, isso é essencial para uma produção manter-se viva por tanto tempo. E concordar ou não com as escolhas do roteiro é assunto para outro post.

Voltemos à música, que é o tema deste. Como eu dizia, a música sempre foi um elemento essencial para a trama, e ajudou a impulsionar a carreira de vários artistas, como Gomez, para citar um exemplo. Esse é um jeito fácil de sublinhar um momento dramático e fazer a audiência se emocionar. Mas funciona. Shonda e sua equipe sabem escolher a dedo a trilha sonora para as cenas que escrevem.

Quem está acompanhando a décima temporada notou algo diferente: a primeira fase terminou e a segunda começou exatamente com a mesma música, uma versão moderna de um clássico de Bonnie Tyler.

É que este ano Shonda decidiu fazer algo diferente para se distrair: uma trilha com canções dos anos 1980. Ao lado da supervisora Alexandra Patsavas, criou o “’80’s Covers Project”. Ao The Hollywood Reporter, Shonda disse que a ideia foi dela, mas que, no começo, teve medo de não funcionar. Era essencial que cada escolha fizesse sentido dentro da história. “Alex adorou a ideia, e fiz uma lista de músicas que sempre amei, uma lista bem longa, e que poderiam render bons covers.” Daí foi ir atrás dos artistas que topassem entrar nessa. Agora vai ser assim: toda a trilha sonora da segunda metade desta temporada será feita com canções dos anos 1980.   

No que me compete comentar, está sendo uma delícia. Só me dei conta de que isso estava acontecendo enquanto assistia, e só então fui pesquisar sobre o assunto. A primeira cena de que me lembro foi com Total Eclipse of the Heart, que talvez seja a música mais cafona e mais conhecida da história. É um sucesso todas as noites nos karaokês cidade afora. Se você não se emocionar com isso, você não tem coração.

Uma que me pegou especialmente foi Tainted Love, o primeiro vídeo que você vê abaixo. É uma das minhas canções favoritas, que me traz boas memórias. Lembro do Caio e do Alberto sendo DJs e dedicando-a para mim em festas e especialmente de um Réveillon com amigos em que começamos o ano cantando a versão do Soft Cell. Talvez seja este o ponto em que Shonda acertou em cheio: tocar a memória afetiva que o público já tem com cada uma dessas músicas e associá-la aos dramas que vivem os personagens.

A seguir, uma seleção minha das canções que mais gostei de ouvir lá. (Os trechos das letras selecionados têm a ver com os momentos em que vão ao ar. Não se preocupe, não são spoilers.)

 

Tainted Love (Soft Cell):

“This tainted love you’ve given / I give you all a boy could give you / Take my tears and that’s not nearly all”

(Este amor manchado que você me deu / Eu te entreguei tudo o que um rapaz poderia te dar / Leve minhas lágrimas e isso não é quase nada)

 

 

Total Eclipse of the Heart (Bonnie Tyler): 

“And I need you now tonight / And I need you more than ever / And if you only hold me tight / We’ll be holding on forever / And we’ll only be making it right / ‘Cause we’ll never be wrong together”

(Eu preciso de você agora, esta noite / Eu preciso de você mais do que nunca / Se ao menos você me abraçasse apertado / Ficaríamos juntos para sempre / Só estaríamos consertando tudo / Porque nunca poderemos estar errados juntos)

 

 

Time after Time (Cyndi Lauper):

“If you’re lost you can look, and you will find me / Time after time / If you fall I will catch you, I’ll be waiting / Time after time”

(Se você estiver perdido, pode procurar e vai me encontrar / Todas as vezes / Se você cair, eu te pegarei, estarei esperando / Todas as vezes)

 

 

Don’t You Want Me (The Human League):

“Don’t, don’t you want me / You know I can’t believe it when I hear that you won’t see me / Don’t, don’t you want me / You know I don’t believe you when you say that you don’t need me”

(Você, você não me quer? / Você sabe que eu não acredito quando ouço que você não me vê / Você, você não me quer? / Você sabe que eu não acredito quando você diz que não precisa de mim)

 


 

Don’t You Forget about Me (Simple Minds):

Don’t you try to pretend / It’s my feeling we’ll win in the end / I won’t harm you or touch your defenses / Vanity and security / Don’t you forget about me / I’ll be alone, dancing you know it, baby”

(Não tente fingir / Meu sentimento é o que venceremos no final / Não vou danificar ou tocar nas suas defesas / Vaidade e segurança / Não vá se esquecer de mim / Eu estarei sozinho, dançando, você sabe disso, baby)

 

 

Just Like Heaven (The Cure):

“Show me, show me, show me how you do that trick / The one that makes me scream, she said / The one that makes me laugh, she said / And threw her arms around my neck / Show me how you do it / And I promise you, I promise that / I’ll run away with you / I’ll run away with you”

(Mostre, mostre para mim como faz aquele truque / Aquele que me faz gritar, ela disse / Aquele que me faz rir, ela disse / E passou os braços ao redor do meu pescoço / Mostre como você faz / E eu prometo, eu prometo que / Eu fugirei com você / Eu fugirei com você)

 

 

All Through the Night (Cyndi Lauper):

“We have no past, we won’t reach back / Keep with me forward all through the night / And once we start the meter clicks / And it goes running all through the night / Until it ends, there is no end”

(Não temos passado, não vamos retroceder / Siga comigo adiante através da noite / E uma vez que começarmos, o relógio começa a contar / E ele vai contando através da noite / Até que acaba, não tem fim)

 

 

Man in the Mirror (Michael Jackson):

“I’m starting with the man in the mirror / I’m asking him to change his ways / And no message could have been any clearer: / If you wanna make the world a better place / Take a look at yourself and then make a change”

(Vou começar com o homem no espelho / Estou pedindo que ele mude / E nenhuma mensagem poderia ser mais clara: / Se você quer que o mundo seja um lugar melhor / Dê uma olhada em você mesmo e mude)

 

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