Mads Mikkelsen é um banquete como ator em Hannibal
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Mads Mikkelsen é um banquete como ator em Hannibal

Clarice Cardoso

10 de março de 2014 | 10h29

 

Clarice Cardoso

O Silêncio dos Inocentes é um filme que sem dúvida marcou a minha vida mais do que a de qualquer outro cinéfilo. Por quê? Releia meu nome.

Quando eu era criança, sexta-feira era o dia de ir à locadora atrás de uma pilha de VHS para as noites do fim de semana. Cada um se lançava numa direção e se reencontrava no meio da loja, quando meus pais decidiam qual seriam os escolhidos para as maratonas (já seria binge-watching?). Uma noite, meu pai me mandou ir dormir mais cedo e me proibiu veementemente de assistir a um dos filmes. O que eu fiz? Acordei de madrugada e dei play. E aí começou a semana de pesadelos: o Anthony Hopkins era um canibal que estava atrás da Clarice. E eu era a Clarice! Até eu assumir o motivo do meu medo (que já era também da bronca que eu levaria), foi outro drama.

Revi o filme depois de adulta, é claro, depois de superado o trauma. E é inegável que a atuação do Hopkins é impecável. Em filmes como Dragão Vermelho, Hannibal já é meio capenga, daí a desconfiança para começar uma série sobre ele no ano passado. Ver o talento de Mads Mikkelsen na tela foi um grato alívio. O dinamarquês é talentosíssimo, tando que venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes pela sua atuação em A Caça, drama indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro (que acaba de sair em DVD no País pela Sony. Vale assistir). 

Um texto mais completo sobre a segunda temporada de Hannibal, que estreia hoje no AXN, foi feita pelo João Fernando e por mim para a edição de hoje do Caderno 2. Você pode ler aqui.

 

 

O episódio que você verá hoje começa com uma emocionante luta entre Hannibal e Jack Crawford (Mads e o experiente Laurence Fishburne). A cena é visualmente muito bonita, mas isso tem um custo: levou 14 horas para ficar do jeito que o diretor da série queria. Em entrevista recente à Vulture, Mads contou um pouco dos bastidores: “Fizemos de um modo muito elegante. Laurence já fez muitas cenas de luta, então ele tem esse repertório. Eu também já fiz, então não foi difícil, mas foi duro, porque depois de 14 horas seguidas, gravando de novo e de novo e de novo… Acabamos o dia nos sentindo muito jovens e cheios de energia. Na manhã seguinte, percebemos que não somos mais tão jovens assim… (risos). Eu não estava totalmente destruído, mas por mais que você use proteção, vai sempre achar um lugarzinho em que se machucou, e foi o que aconteceu. Eu me olhei no espelho e pensei: ‘Como isso aconteceu?’. Onde quer que você coloque a proteção, eu aposto com qualquer um, é onde o golpe não vai acertar”.

Sobre os grandes banquetes que Hannibal oferece como parte de seu sadismo (em que serve carne humana e é elogiadíssimo por seus pobres convidados), Mads contou à Vulture que eles ganharão destaque nesta temporada. “Tudo está mais destacado nestes episódios. É mais bonito, mais elaborado, o jogo está mais insano e os jantares estão ainda mais grandiosos. O estilo continua, mas estamos colocando algo a mais. Em uma das cenas, comemos sashimi. Era tão delicioso, e Laurence e eu gostamos tanto, que tivemos que fazer takes extras”, disse. A comida no set é boa, mas é melhor parar por aí, não? “Se fizéssemos um livro de receitas do programa, seria bem mórbido”, diverte-se.

Muito bem-humorado, Mads contou ainda que, por mais sombrio e sangrento que seja o clima do programa, ele tem um hábito curioso no set entre uma cena e outra: dançar. “Nós nos vestimos tão bem, parecemos Fred Astaire, então, nos intervalos, dizemos: Por que não?”, brincou. O repórter da Vulture entrou no jogo. É comum os atores fazerem laboratório antes de entrar em algum projeto. Experimentar drogas, se o personagem pede, viver alguns dias no mundo em que ele viveria. E, bem, Hannibal é um canibal… Mads caiu na gargalhada. “Pois é! Mas todo mundo tem limites! Eu não mato pessoas e nunca comi carne humana”, respondeu, rindo.

*

Em tempo: em alguns dias vai chegar ao Brasil outra série sobre um vilão ainda mais clássico, Drácula, da qual falaremos ainda, aguarde. Não que as duas sejam comparáveis, mas caso falte tempo para acompanhar as duas produções e precise escolher uma, fique com Hannibal sem pensar duas vezes.

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