Lost: E eles não estavam mortos o tempo todo…
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Lost: E eles não estavam mortos o tempo todo…

Clarice Cardoso

18 de março de 2014 | 22h48

Clarice Cardoso

Quatro anos se passaram, mas sou do tipo de pessoa que guarda pequenos rancores televisivos (… e pessoais. A quem eu quero enganar?). Um deles eu sei que compartilho com muitos dos leitores deste blog: o episódio final de Lost. Quatro anos se passaram, mas eu ainda não engoli o que foi feito de uma das séries que se prometia a mais inovadora dos anos 2000.

Pois os chefões da produção,  Damon Lindelof e Carlton Cuse, finalmente falaram sobre o assunto durante um evento nos Estados Unidos, o PaleyFest, em homenagem aos dez anos da estreia da série. Por conta da tragédia com o avião da Malaysian Air, a produção decidiu não exibir novamente o piloto, uma decisão acertada.

Apesar de parecer, não sou totalmente extremista, e não acho que o final fraco invalide tudo de inovador que a série provocou enquanto esteve no ar. Foi divertido assistir, criar teorias e debater com os amigos no dia seguinte. É uma pena que os roteiristas e produtores não estivessem à altura dos fãs que conquistaram.

Mas vamos às questões que ninguém aceitou ao longo desses anos:

Eles estavam mortos o tempo todo? “Não, não, não. Eles não estavam mortos o tempo todo. No final do último episódio, um executivo da ABC achou que seria legal se incluíssemos cenas extras, o que não tínhamos. O que tínhamos eram imagens dos destroços do avião na praia, que gravamos antes que elas fossem removidas ou levadas pelo mar. Pensamos em colocá-las no fim do programa, mas, quando as pessoas assistiram a isso, a cenas de um avião sem sobreviventes, isso só exacerbou o problema”, explicou Cuse. Ou seja: eles sobreviveram ao acidente aéreo e realmente estavam na ilha, mas, no final de tudo, eles estavam realmente mortos quando se encontraram na igreja.

O final tinha algum significado? “Desde o começo, decidimos que, apesar de Lost ser um programa sobre pessoas numa ilha, metaforicamente, tratava de personagens perdidos, buscando por significado em suas vidas. E, por causa disso, queríamos um final espiritual, que falasse de destino. Tivemos longas discussões sobre a natureza da série, por muitos anos, e decidimos que o final precisaria significar algo,para nós e ter a ver com nossas crenças, como nossos personagens e com o fato de estarmos todos aqui para amparar uns aos outros em nossas vidas”, justificou Carlon.

“O público dizia desde o começo que a ilha era uma espécie de purgatório, e nós sempre falávamos que não, que não era um purgatório, que não estávamos fazendo algo na linha de O Sexto Sentido. E os roteiristas pensaram: ‘Obviamente, há todos esses mistérios, mas e se a gente respondesse a uma pergunta que nunca foi feita, sobre o sentido da vida e o que acontece quando você morre?”, arrematou Damon.

Bom, a verdade é que nem o final na série nem essas respostas meia-boca responderam a nenhuma das questões que a própria série propôs. De onde saíram os ursos polares? Quem mandava a comida que caía do céu? Qual era a da fumaça preta? Como era possível viajar no tempo? E a história da canoa? (Essa resposta eles dizem que têm, mas não quiseram filmar. Prometeram leiloar o roteiro para a caridade. Sei…) Qual era a importância de Walt, o menininho? Qual era o plano para ele? Dá para passar o dia listando tudo o que passou batido nesse questionável episódio final.

Com tantas perguntas pendentes, algum roteirista parece ter se desesperado e inventado um final pretensamente metafísico para dizer que a culpa era dos fãs, que estavam focados no lugar errado. Não era isso que importava, pareciam dizer.

Os criadores tentam é sair pela tangente, alegando que qualquer resposta levaria a outra pergunta, e que eles queriam mostrar a “jornada espiritual de cada personagem”. Bobagem. Lost nunca se aprofundou na psique de ninguém. Pelo contrário: a cada semana, um novo quebra-cabeças era lançado, normalmente com referências a questões anteriores, como se a série tivesse algum tipo de grande esquema montado com todas as respostas. Claramente não tinha.

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