O final de How I Met Your Mother foi previsível e emotivo (+ os melhores clipes)
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O final de How I Met Your Mother foi previsível e emotivo (+ os melhores clipes)

Clarice Cardoso

05 de abril de 2014 | 14h04

(Como a faixa amarela sempre avisa aqui no blog, este post tem alguns spoilers)

 

Clique aqui e veja uma seleção das melhores músicas e clipes dessas noves temporadas.

 

Clarice Cardoso

“Dooby dooby down dooby doo doo / Breaking up is hard to do”, diz aquela música do Neil Sedaka, Breaking Up Is Hard To Do, que é o que me vem à cabeça quando começo a escrever sobre a final de How I Met Your Mother

Isso vai soar cafona como é cafona se despedir do grupo de amigos da série e sentir que eles se afastam também de você. De certa forma, não deixa de ser verdade: foram nove temporadas acompanhando semana a semana uma realidade que poderia ser a nossa.

Todos têm ou já tiveram pessoas especiais. Que sabem de tudo e vivenciam com você os grandes momentos, as grandes passagens. Mas eis que chega um momento em que você se dá conta de que o que parecia inabalável se tornou rarefeito. Um começa a trabalhar demais, outra se muda para outro estado ou país. Mais um desenvolve interesses ou uma personalidade com que você não mais se identifica. As pessoas se afastam.

Chega o  momento de encarar que crescemos para além de nossos amigos, e que o que nos une é o carinho de um passado compartilhado. Foi esse o tom do episódio final de How I Met Your Mother. Já adultos, não é mais tão fácil estar sempre disponível, por mais que se queira. E isso dói.

É uma história óbvia? Talvez. Mas nem por isso menos verdadeira. É um retrato real de um momento por que todos passam. E, depois de ver, você se emociona. Não é à toa que How I Met Yout Mother se tornou um fenômeno cultural até no Brasil (em menor em escala, apesar de todo o desrespeito dos programadores dos canais a cabo, que simplesmente não conseguem manter a série no ar regularmente).

Foi assim que, usando saltos no tempo, acompanhamos como Ted, Barney, Robin, Lilly e Marshall tentam manter-se juntos mesmo com toda a lama, com toda a fama, todo problema, todo sistema. Há também os amores. Impossível ver Ted e Robin e não pensar nos amores que poderiam ter sido e não foram, ou quase foram. Porque não eram para ser. Por uma bobagem. Por desatenção. Porque você entendeu errado alguma coisa e daí já era tarde demais…

Nada disso impede que ele tenha amado de verdade a mãe de seus filhos. O amor não é o cometa Halley, que só passa a cada 75 anos. Ter amado com todas as suas forças a mãe não torna menos verdadeiro o tipo de amor diferente que ele sempre nutriu por Robin.

Esta temporada sofreu críticas de todos os lados, acusada de ser óbvia, irregular, apostar demais nas fórmulas já certas. Será? Minha tese é a de que na temporada final o jogo já está ganho e você já não precisa mais provar nada a ninguém. A série pode relaxar e correr com mais leveza, entregando aos fãs aquilo que eles adoram e que é o que querem ver. E dá-lhe piadas internas, flashbacks e flashfowards. Nada disso me incomoda.

Minha opinião é um ponto fora da curva: fãs reeditaram o final e postaram versões que consideram “melhores” no YouTube, forçando os criadores a se explicarem no Twitter. E mais de 7 mil pessoas já assinaram uma petição online pedindo que o final seja reescrito, refilmado, e que Ted não vá atrás da Robin por fim.

Os criadores sempre tiveram em mente que a série acabaria assim. Tanto que a cena foi filmada durante a segunda temporada. Há um final alternativo que será incluído nos extras dos DVDs e Blu-Rays, e que pode acalmar esses ânimos. Será necessário? Se já o fazemos na vida real, precisamos mesmo negar também na ficção um amor que todos sabíamos que sempre esteve lá? 

Esse, aliás, foi o tema de algumas conversar com Leandro Cacossi, um amigo que tive a sorte de reencontrar trabalhando na Rádio Estadão. Sorte porque o contato, que tinha se tornado apenas virtual, pôde ser retomado quando nos descobrimos trabalhando no mesmo prédio. Vínhamos falando da série até que esta semana pedi que ele fizesse um texto para o blog, e teremos hoje mais uma colaboração no Fora de Série – meu tipo de post favorito. Leiam abaixo o que o Leandro tem a dizer.

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Leandro Cacossi

Foram oito temporadas com muitos pontos altos altos, alguns tantos baixos, que culminaram em uma nona marcada por essa mesma irregularidade. Talvez tenha sido o tempo excessivo no ar, talvez seja a vontade de seus criadores de brincar com o “vai e vem” do roteiro (que funcionaram na maioria das vezes, diga-se), mas que podem ter “se perdido” no meio do caminho.

Desde seu piloto, How I Met Your Mother mostrou constantes misturas de flashbacks e eventos futuros que deixavam mais dúvidas que certezas acerca do destino que teria o narrador da história. Um narrador sempre disposto a pregar peças e deixar os filhos/espectadores sabendo que iriam por água abaixo cedo ou tarde, especialmente através dos diferentes pontos de vista de uma mesma cena.

O homem que quer contar para os filhos como conheceu a mãe das crianças inicia a história pelo momento em que ele conhece a “tia”. É a mulher pela qual Ted Mosby seria apaixonado ao longo de toda a série. Alguém por quem ele sempre teve o prazer de fazer de tudo para ver sorrindo e feliz, como ele mesmo deixa claro na nona temporada.

Entre tantos romances, Robin foi a única que nunca deixou qualquer dúvida em Ted. Mas, seria “a mãe” capaz de modificar isso abruptamente? A nona temporada foi provando episódio a episódio que não (por mais que essa fossa a torcida de boa parte dos fãs).

Até o último momento, Ted continua cometendo “loucuras” em função de Robin. A ponto de decidir se mudar de Nova York para recomeçar a busca pela “mulher de sua vida” sem ter a verdadeira “mulher de sua vida” ao alcance dos seus olhos. Tudo isso posto para questionar: que outra razão teria Ted para dar o pontapé inicial de sua história pelo dia em que conheceu Robin, não fosse para mostrar aos filhos o quão importante era a jornalista canadense em sua vida (a despeito da mãe)?

O objetivo era óbvio, como mostrou os últimos 3 minutos de How I Met Your Mother: a tentativa de Ted de, mais uma vez, tentar conquistar aquela que sempre foi sua mulher ideal. E foi assim que, coerentemente, How I Met Your Mother: com um desfecho dentro daquilo que foi proposto desde o piloto e desmembrado anos a fio.
Mas, se tal final é motivo de discussões, discórdias e revoltas, o mesmo não se pode dizer do contexto geral do roteiro nas nove temporadas. Personagens com características sólidas, que seguiram firmemente em seus propósitos e em suas essências. E, como tudo que se move pode mudar, aqueles que seriam os protagonistas (Ted e Robin) acabaram ofuscados em boa parte do tempo pelo carisma do casal Marshall e Lily e pelas ações absurdas do maior destaque do seriado: Barney Stinson.

É sempre Barney quem rouba a cena, produz bordões lendários e protagoniza as situações mais inusitadas nas nove temporadas de How I Met Your Mother. É Barney quem melhor representa o lado humorístico da série (uma série de humor, afinal). Mesmo nos momentos mais fracos da trama, é Barney quem rouba a cena com seus “Bro Codes”, ternos impecáveis, teorias incríveis, desafios aceitos e, claro, cantadas infalíveis.

Barney, sem dúvida, é o grande acerto dos criadores de How I Met Your Mother. A figura que, pela carência que não admite ter, não consegue viver sem qualquer dos quatro amigos. É a figura que menos se modifica ao longo dos nove anos. E que pode mudar depois do nascimento de Ellie, sua filha com a “mulher 31”. Mas que jamais vamos saber se isso realmente ocorrerá. Se bem que vem um How I Met Your Father por aí…

 

Para arrematar, alguns dos melhores clipes desses nove anos de série:

 

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