Depois de salvar Oscar, Ellen prepara volta às séries
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Depois de salvar Oscar, Ellen prepara volta às séries

Clarice Cardoso

03 de março de 2014 | 15h55

 

Clarice Cardoso

Acertos e injustiças de cunho cinematográfico à parte, Ellen DeGeneres salvou a cerimônia do Oscar da chatice. Ao levar para o palco do Dolby Theatre o jeito descontraído de humor que é sua marca na TV, ignorou protocolos e salvou a transmissão da apatia que a acomete quando pesa demais a mão nos discursos oficiais.

Trago boas notícias para quem gostou do que viu na noite de ontem: Ellen pode voltar às séries de TV. Agora, trabalha como produtora-executiva num piloto encomendado pela NBC chamado One Big Happy. A personagem central é uma lésbica que resolve ter um filho com o melhor amigo, mas, no meio do processo, encontra o amor de sua vida. Os amigos em comum acham que eles foram feitos um para o outro e, enquanto tudo isso acontece, a série quer retratar como é a vida amorosa dos solteiros hoje em dia,

A apresentadora é certamente a mulher gay assumida mais importante da televisão norte-americana. E este é um tema caro a ela, que se assumiu quando estava no ar com a sitcom Ellen, produzida de 1994 a 1998, no programa da Oprah. A revelação virou enredo para a série, que passou a explorar o tema. Hoje, Ellen é casada com  a atriz Portia De Rossi, a Lindsay de Arrested Development. De 2001 a 2002, Ellen teve ainda outra série, The Ellen Show. 

Para One Big Happy, ela chamou uma roteirista que também é lésbica assumida, Liz Feldman (2 Broke Girls) e está numa emissora que também tem um presidente gay, Bob Greenblatt (ele esteve envolvido com The L World e Queer as a Folk). O trio, porém, pode enfrentar um momento delicado para programas com essa temática. Se no ano passado comemorava-se o fato de termos mais personagens assumidos na tela, recentemente algumas acabaram canceladas (por outros motivos), como Smach, Go On e Happy Endings.

 

 

No fundo, o Oscar é um grande programa de TV

A queda de audiência da transmissão da cerimônia do Oscar tem preocupado a Academia de Artes e Ciências de Hollywood. Nos últimos anos, ela tem ficado atrás da final do Super Bowl e do Grammy, por exemplo. Uma forma de reação a isso foi a liberação da transmissão por streaming para algumas cidades dos Estados Unidos. (Isso atende a uma demanda forte que marca o modo de ver TV, as multitelas, e vou escrever a esse respeito em breve, aguarde.)

Se formos ver, a transmissão de uma cerimônia como o Oscar não passa de mais um programa de TV. No limite, basta ao cinéfilo ler a lista de vencedores, refletir e debater com os amigos os acertos e injustiças do prêmio. Então, como deixar esse pacote atraente o bastante para que as pessoas queiram ficar no sofá acompanhando em tempo real? É aí que Ellen entra.

Ela é um fenômeno como apresentadora de TV, e não está nem aí para os protocolos. Foi o que trouxe de bom para a noite de ontem. Deixou de lado o tom cerimonioso, formal, e fez piadas com os presentes como se fossem gente como a gente, sem tratá-los como a alta realeza Hollywoodiana. Passou a noite perguntando quem queria pizza, até que apareceu no palco com um entregador. Foi andando pela plateia distribuindo fatias para atores como Jared Leto, que venceu como coadjuvante. “Estou sem dinheiro aqui, quem pode pagar?”, disse antes de pedir trocados para Sandra Bullock.

Sem agredir, sem pesar a mão no humor, fez graça com todo mundo com leveza e elegância. Um ótimo alvo é sempre Jennifer Lawrence. No ano passado, ela caiu ao subir ao palco para receber o Oscar de melhor atriz por O Lado Bom da Vida. Ontem, escorregou já no tapete vermelho. “Se você ganhar hoje, eu peço para levarem o Oscar até você. Não quero que isso aconteça de novo”, brincou. De Trapaça a Tropeço, eu diria.

De repente, interrompeu a cerimônia para tirar uma selfie com alguns maiores nomes do cinema norte-americano. Chamou Meryl Streep, Julia Roberts, Brad Pitt, Angelina Jolie, Jennifer e Bradley Cooper, entre outros, como se estivesse no bar com seus amigos, e fez a foto mais compartilhada da história do Twitter. (Mas ela é garota propaganda da Samsung, o aparelho usado na foto, e nos bastidores ficou usando seu iPhone, vejam só… Essa história está lá no blog do nosso amigo Gabriel Perline, que também fala de séries de vez em quando e que você deveria ler.)

Ellen fazia o espectador ansiar por suas aparições no meio da cerimônia. Ela era um alívio em meio a tantos discursos institucionais e homenagens (que têm também seu valor, é claro).

O Globo de Ouro já tinha captado que as estrelas da TV poderiam ser a chave para atrair audiência quando trouxe duas vezes a dupla Tina Fey (30 Rock) e Amy Poehler (Parks and Recreation) como mestres de cerimônia. Elas se saíram bem, mostraram a força da escola Saturday Night Live, mas, comparadas com Ellen, foram tímidas.

A verdade é que Ellen não fez nada do que não faz na TV, em seu programa, The Ellen DeGeneres Show, programa de entrevistas que era exibido pelo GNT e em que ela não tenta pesar a mão em sacadas inteligentes e piadas de duplo sentindo, nem arma situações para desarmar seus convidados e parecer mais inteligente que eles. As entrevistas têm sempre alguma surpresa divertida. Um exemplo? No ano passado, a atriz Kaley Cuoco, de The Big Bang Theory, disse que pensava em se casar. O que Ellen fez? Armou uma cerimônia surpresa, mas de verdade, no palco, ali, no meio do programa. Um roteirista se preparou para poder oficializar a união para valer. “Vocês vão economizar um dinheirão”, brincou Ellen.

Atualização: A cerimônia de domingo foi vista por um total de 43,7 milhões de pessoas, o melhor resultado que a transmissão atingiu desde 2004. Palmas para Ellen!

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