Criador se desculpa por fiasco de Newsroom
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Criador se desculpa por fiasco de Newsroom

Clarice Cardoso

22 de abril de 2014 | 16h46

 

Clarice Cardoso

A terceira e última temporada de The Newsroom está prestes a estrear nos Estados Unidos. E é difícil saber se a reação propícia a essa notícia dever ser o alívio de dar fim a algo que agoniza diante dos nossos olhos ou a decepção de ver uma produção tão promissora definhar de forma tão vexatória.

Ontem, durante o Festival de Cinema de Tribeca, o próprio criador, Aaron Sorkin, deu declarações em que olhou o público nos olhos e se desculpou. “Acho que vocês (o público) e eu começamos The Newsroom com o pé errado. Eu peço desculpas e gostaria de começar tudo de novo”, afirmou.

“Houve um grande mal entendido. Eu não fiz com que a série se passasse num passado recente para mostrar aos jornalistas profissionais como eles deveriam ter feito a cobertura. Isso é a última coisa em que pensava. Fiz isso porque eu não queria inventar notícias falsas, pois seria estranho se aqueles repórteres vivessem num mundo que não se assemelha em nada ao nosso. Quis criar uma dinâmica em que o público soubesse mais que os próprios personagens, e não dar uma aula sobre jornalismo.”

Ele diz que só agora está aprendendo a escrever para a série, e tem se divertido muito com essa “curva de aprendizado” mesmo com o fim iminente. É pena que ele tenha começado tarde demais. É pena que nós, o público, tenhamos sofrido tanto para engolir roteiros fracos e personagens mal conduzidos no processo.

A culpa, diz Sorkin, é da dinâmica das séries de TV: “Há as datas de exibição a cumprir, e você tem de escrever mesmo quando não está produzindo tão bem. Com tudo isso, filmávamos meus rascunhos e tínhamos de viver com eles. Havia textos ruins ali. Tínhamos de fazer. É para isso que estamos aqui. Tínhamos de parar o sangramento e, em algumas semanas, é assim. Você tem de fazer o melhor possível no tempo que tem, mas não há um único episódio que eu tenha escrito ao qual eu não gostaria de retornar e refazer”. Todos nós gostaríamos, Sorkin. Até porque essa é uma desculpa um tanto fajuta: são incontáveis as séries que dão conta de manter um bom ritmo, bons enredos e bons personagens a despeito da estrutura que rege as produções para a TV.

É verdade que Sorkin tem um histórico perigoso na TV: se por um lado ele trabalhou para The West Wing, ele também nos fez passar por Sports Night e, o pior, por Studio 60 On The Sunset Strip. The Newsroom era, de certa forma, um meio de ele se redimir. Mas não.

Os críticos norte-americanos a que ele respondeu dizem que a Redação de Newsroom é inverossímil. Todos são muito espertos e rápidos em notar tendências políticas e de comportamento que são praticamente impossíveis de prever no dia a dia, por melhor ou mais experiente que sejam os jornalistas.

Cabe dizer que Newsroom não é a única que trata a profissão de um jeito, no mínimo, esquisito. Em House of Cards ou Scandal, por exemplo,  não há um repórter sequer que se salve, que siga os preceitos básicos da apuração e do relacionamento com as fontes. A profissão pode estar em crise nos EUA nos dias atuais, mas há abordagens ficcionais que só expressam o quão pouco os criadores (e leitores) sabem sobre ela.

Mas não sei se é bem por aí que a série se perdeu: antes, foi no foco excessivo nos triângulos amorosos, nas relações sentimentais entre apresentador e produtora-executiva, que a coisa foi para o saco. E quem pagou o pato foi o Jornalismo e o público, privado de uma série com uma ótima prerrogativa e péssima execução.

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