Como a programação e as nerdices dos atores ajudam Silicon Valley
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Como a programação e as nerdices dos atores ajudam Silicon Valley

Clarice Cardoso

15 de abril de 2014 | 20h56

 

Clarice Cardoso

É uma pena que o lançamento de Silicon Valley tenha sido programado para cair justo no meio de duas estreias de temporadas tão gigantes: entre Game of Thrones e Mad Men, uma das melhores comédias da safra atual poderia passar desapercebida.

Isso não pode acontecer justamente porque é uma das melhores comédias da safra atual — e, convenhamos, muita porcaria tem estreado por aqui nas últimas semanas. Escrevi sobre Silicon Valley para a edição impressa do Caderno 2 desta quarta, dia 16, um texto que você pode ler aqui.

O grande nome por trás da série é Mike Judge. Caso você não o conheça de nome, certamente se lembrará de ao menos duas de suas criações: Beavis e Butt-head ou O Rei do Pedaço. Mas esqueça esse tipo de humor e lembre-se do filme que ele fez em 1999, Como Enlouquecer seu Chefe

Muito de sua experiência pessoal de um jovem que teve os sonhos esmagados pelo Vale do Silício entrou na ideia original da série, como você pode ler no texto linkado acima, mas Judge também usa experiências que teve com os CEOs superestimados da internet, que se enganam com as próprias previsões de futuro. Nos anos 2000, pouco antes da bolha dos .com, várias startups o procuravam para transformar Beavis e Butt-head numa websérie, todos com o mesmo discurso: “Em dois anos, ninguém mais vai ter televisão”, diziam. Judge só deu risada – e, agora, conta a piada para a gente.

Uma cena que se passa no primeiro episódio é quase literalmente o que se passou com ele: ao esperar pelo presidente de uma empresa para uma reunião, o vice-presidente disse: “Você não conhece o Bill? Eu só o vejo uma vez por mês, por dez minutos… Mas esses dez minutos são incríveis!”.

Com a ideia da série já na mão, Judge chegou ao set e deu de cara com um elenco de cinco atores que não poderiam ser mais nerds: foram pegos no flagra jogando Magic no camarim. Ele não teve dúvida: começou a pegar traços da personalidade de cada um e usar nos personagens e a incentivar improvisações nos dois episódios que dirigiu.

Tamanho era o seu comprometimento em dar credibilidade à produção que ele não queria que o aplicativo que o protagonista desenvolve fosse apenas mais uma rede social ou algum joguinho besta. Ele enfiou na cabeça que tinha que ser algo realmente revolucionário. Então, no ano passado, chamou um investidor e empresário da web para se tornar produtor associado e desenvolver, ao lado de engenheiros, uma ideia crível, realista e possível, que realmente deixasse os expectadores especializados intrigados: foi assim que, na história, temos o logaritmo que é capaz de compactar arquivos em supervelocidade.

Veja abaixo o trailer da série, que o HBO exibe às segundas-feiras, às 22h30 e também está no site sob demanda, o HBOGo.

Tudo o que sabemos sobre:

Silicon Valley; Série de TV

Tendências: