Sobre a “castidade sociológica”

Laura Greenhalgh

03 de agosto de 2010 | 19h34

URUGUAY- RELACIONES INTERNACIONALES

 

Preparem-se: Fernando Henrique Cardoso abrirá a programação da Flip com uma conferência e tanto. Chama-se Gilberto Freyre, perene e é trabalho de fôlego. Mergulho na obra e no autor em águas profundas. Volta em grande estilo de FHC ao universo da sociologia — ouviram? Nada de improviso, tudo pensado. Em vários momentos o conferencista deverá mencionar (e reverenciar) o mestre Florestan Fernandes e a escola paulista/uspiana de sociologia,  que tanto estranhamento teve em relação a conceitos desenvolvidos por Freyre, como o da “democracia racial” e certas análises em torno da sociedade patriarcal.  Pode dar um debate interessante, vamos ver…

Pois FHC destrinchará esse estranhamento, lidando ardilosamente com as palavras — “Gilberto Freyre acreditava ter sido pioneiro em incluir nas análises sociais aspectos subjetivos (…)”. E vai longe ao dissecar seu personagem-tema. Logo no início da conferência o presidente-sociólogo dirá algo como: …”quem sabe, ao me aproximar de tão gabado Autor, me sobrem umas lasquinhas de glória…”. Ironia aplicada a si mesmo. Freyre também apelava para o humor ao rebater as críticas que lhe faziam no meio acadêmico. Dizia jamais ter feito voto de “castidade sociológica”…

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