“Por que não trazer de vez o Ahmadinejad?”

Estadão

06 de agosto de 2010 | 19h58

Na mesa com o israelense A.B. Yehoshua, a iraniana Azar Nafisi subiu o tom na crítica a Lula (na entrevista ao blog, ontem, foi bem mais comedida). Disse que o simples fato de ele dizer, a princípio, que não queria interferir no caso Sakineh, a iraniana condenada à morte por apedrejamento, é uma interferência. Criticou a fala dele ao resolver interferir de fato, quando chamou Ahmadinejad de amigo (“Chamar de amigo alguém que deixa as pessoas morrerem apedrejadas?”). E ainda, repetindo algo que falou na entrevista, o argumento de Lula de que Sakineh poderia ficar ao Brasil se causa “desconforto”. “Imagina trazer ao Brasil todo mundo que incomoda Ahmadinejad; viria 80% da população!”
 
Foi aplaudidíssima pelo público, no debate mais quente até agora. A.B. Yehoshua arrancou gargalhadas da plateia ao pensar uma alternativa para a oferenda de Lula: “Por que, em vez de trazer Sakineh, ele não traz de vez Ahmadinejad?”.
 
No final, uma questão do público causou faíscas entre os dois. Uma espectadora perguntou o que  Nafisi achava dos assentamentos judaicos em Israel, e Nafisi os criticou, mas argumentando que a culpa era dos políticos, e não do povo. Yehoshua reagiu com força, falando sobre os intelectuais iranianos que, no livro dela (Lendo Lolita em Teerã), defendem a Revolução de 1979. “Conheço pessoas muito inteligentes que apoiam os assentamentos”, disse, argumentando que não é fácil avaliar com distanciamento o próprio povo, mas que a culpa não é só dos políticos. “Você é inteligente e desafiador demais para que eu seja capaz de discutir com você”, respondeu ela, simpática.

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