Política marca encontro de escritores

Estadão

07 de julho de 2012 | 09h42

Ubiratan Brasil

O tom político marcou o encontro entre o poeta sírio Adonis e o escritor libanês Amin Maalouf, ontem à tarde, durante a 10.ª Festa Literária Internacional de Paraty, que termina amanhã na cidade fluminense. O ceticismo com o rumo da Primavera Árabe e com o governo do presidente americano Barack Obama, entre outros tópicos, orientou o discurso dos dois autores, cuja obra oferece um olhar original sobre a tradição muçulmana em oposição direta ao fundamentalismo.

“Se a mudança na Síria não for social e cultural, se não acontecer a separação entre religião e política e se a mulher continuar prisioneira das leis islâmicas, a troca de regime não vai significar nada”, decretou Adonis, de 82 anos, que se tornou um dos principais críticos dos acontecimentos nos países árabes.

Como havia narrado ao Estado no início da semana, o poeta lembrou sua euforia com o início do movimento, em 2010. “A liderança era dos jovens e, pela primeira vez, a juventude árabe não copiava algo do Ocidente”, disse ele, que chegou a compor poemas celebrando as mudanças. “Logo, as forças iniciais foram afastadas e entraram em campo os fundamentalistas, o que comprometeu o processo.”

(Matéria publicada hoje no Estadão. Leia na íntegra)

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