Paraty de ruas (in)finitas

Laura Greenhalgh

30 de julho de 2010 | 20h55

Foto Divulgação

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Estamos nos preparando para mais uma Festa Literária Internacional de Paraty, às voltas com as possibilidades de uma cobertura dinâmica, em tempo real, que esperamos seja vibrante não só no conteúdo impresso, mas no online, especialmente. De minha parte, tomo certa cautela ao dizer “esperamos”, pois o nosso time de cobertura reúne de blogueiros e tuiteiros natos, como nossa brava Raquel Cozer (tem idade para tanto…), a blogueiros de primeira viagem, como Antonio Gonçalves Filho, Ubiratan Brasil e esta que vos escreve. A sorte está lançada, portanto.

Hoje, revendo a programação prevista para os próximos dias, me lembrei do primeiro ano da Flip, em 2003, quando pude assistir à programação na confortável condição de…público. Confortável porque eu não tinha o compromisso de tomar notas, redigir textos, buscar pautas, caçar entrevistas, nada, nada. Era sentar e ouvir. E me lembrei da Casa da Cultura dura de gente, o assoalho do solar colonial rangendo sob os nossos pés, um medo danado de que uma parede desabasse. Ou seja, confortável para a jornalista metida a ouvinte. Para o público mesmo já foi um sufoco…De qualquer modo, sentia-se ali em Paraty um cheiro de coisa boa que vinha pra ficar.

A Flip avança para sua oitava edição. Desfilou nos últimos anos nomes estelares do universo das letras, como Julian Barnes, Ian McEwan, J. M Coetzee, Mia Couto,  grandes intelectuais, como Eric Hobsbawn e Beatriz Sarlo, para citar apenas dois, profissionais que apontaram rumos para o jornalismo, como Lilian Ross e Gay Talese, sem falar nos representantes da melhor literatura nacional. E vêm as perguntas inevitáveis: até onde a Flip vai? Que grifes literárias ainda atrairá? Até quando manterá essa resposta de público impressionante, a julgar pela rapidez com que seus ingressos esgotam? Que influência teve e ainda terá nas festas e feiras literárias que pipocam pelo país?

Toninho, Bira, Raquel e eu voltaremos a conversar com nossos leitores sobre estas ( e outras) questões ao longo da próxima semana. Sempre neste blog de velhos e novos aventureiros de navegação. E no twitter: @cultura_estadao.