Mais Poesia

Estadão

06 Julho 2012 | 22h47

Laura Greenhalgh

Comentários do público ao término da mesa de Adonis, um nome sempre cotado para o Nobel de Literatura, refletiam certa insatisfação: por que o poeta falou tão pouco sobre sua obra? Por que seus poemas não puderam ser comentados? O tema geral da conversa, como se anunciou previamente, não era poesia, mas uma reflexão sobre cultura e política. A poesia, no entanto, rondou. Por exemplo, ficou-se sabendo que o pai de Maalouf, que foi poeta como Adonis, sabia de cor cerca de 100 mil versos da poesia clássica árabe. E, o que só vem confirmar a tradição oral dessa vasta obra, costumava à noite divertir-se com os amigos num jogo muito particular: uma pessoa declamava um poema cuja última palavra deveria ser a primeira de outro poema, que deveria ser declamado em seguida por outro amigo. Perdedor seria aquele que interrompesse a cadeia. Essa oralidade foi de certa forma reverenciada por Adonis, convidado a ler, em árabe, um de seus poemas.