Literatura, consolo para os desterrados

Estadão

06 de julho de 2012 | 18h31

Maria Fernanda Rodrigues

Teju Cole é americano filho de pais nigerianos. Paloma Vidal nasceu em Buenos Aires, mas aos dois anos já morava no Brasil. Em ‘Cidade Aberta’, livro de Teju lançado agora no Brasil, Julius, um nigeriano residente de psiquiatria flana por Nova York depois do trabalho. Em ‘Mar Azul’, que Paloma terminou há 15 dias, uma filha encontra os cadernos de anotações do pai morto e começa a reconstituir a história dos dois, argentinos que emigraram ao Brasil em épocas diferentes. Seu livro anterior, ‘Algum Lugar’, foi criado a partir dos posts que escrevia em seu blog quando morava em Los Angeles para concluir o doutorado. Os dois se encontraram no palco da Flip na tarde desta sexta-feira para falar sobre essas coincidências.

“A literatura é uma espécie de consolo para a condição de estar longe de casa. Assim como carne de carneiro combina com geleia de menta, estar longe de casa combina com escrever porque é ali que você se encontra em condição de descrever”, comentou Cole.

Paloma falou sobre a dificuldade dos contemporâneos de ter alguma coisa nova para escrever sobre lugares e de como a literatura melhora a realidade. Ela, que nunca entendeu como foi parar em Los Angeles, passou a gostar mais da cidade .

A política também apareceu na conversa. “Os anos Bush foram horríveis e desastrosos. A década depois do 9 de setembro foi uma década triste e de fracassos dos Estados Unidos. Foram tempos difíceis e não acho que eles tenham acabado”, disse Teju, que se estressa com o noticiário mas que prefere ser mais “quieto” na literatura.

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