Ainda Primavera Árabe

Estadão

06 de julho de 2012 | 22h44

Laura Greenhalgh

Os dois convidados da Flip não pouparam comentários sobre os recentes levantes nos países árabes, num encontro que intencionalmente deveria misturar cultura e política. Para Adonis, a Primavera Árabe começou bem, com os jovens tomando as ruas de uma maneira original, inventando seu jeito de protestar, sem copiar fórmulas do Ocidente. “Ali, naquele momento inicial, os jovens marcaram presença, as mulheres de fato participaram do processo, porém, em seguida, o que se viu foram as mesmas velhas forças políticas tomando a cena. Eu pergunto: de que nos adianta agora substituir fascismos religiosos por fascismos militares?”. O poeta sírio, que há muitos anos vive em Paris, admitiu que, “sob nenhuma hipótese”, é possível continuar apoiando Bashar Al-Assad em seu país de origem, embora se preocupe com o que virá no lugar do regime, caso seja deposto. Insistiu que o drama dos países árabes reside na incapacidade de separar “radicalmente” Estado e religião, o que propiciaria a laicização e a modernização sociedade. “Sem isso, não haverá avanço”. Em inúmeros momentos, Adonis condenou o estado de “aprisionamento” das mulheres nos países islâmicos: “Jamais uma sociedade será livre se as mulheres continuarem cativas”.

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