A maldade humana

Estadão

05 de agosto de 2010 | 14h27

Em debate pontuado pela discussão acerca do mal, a paulistana Patricia Melo não deixou barato ao ouvir uma pequena maldade na pergunta de um espectador – que lembrou uma resenha de jornal na qual o crítico lembrava (mais uma vez) o quanto a obra dela ainda ecoa Rubem Fonseca. “Infelizmente, a crítica literária no Brasil é simplista, pobre e pouco técnica. Que me desculpem os críticos. Acho que é pela falta de conhecimento da vida literária no Brasil”, começou, antes de argumentar que a urbanidade e a violência de Rubem foi referência para toda uma geração que cresceu lendo os romances prioritariamente regionais dos anos 60. “Mas não me afeta mais essa crítica”, jurou.

A norte-americana Lionel Shriver, com quem Patricia dividia a mesa, saiu-se com mais jeito nas respostas. Fez o público rir ao responder que “escreve e ganha dinheiro com isso” quando questionada sobre como lida com grandes dilemas em sua vida (tema de seu mais recente livro que saiu por aqui, O Mundo Pós-Aniversário), afirmou que a noção de maldade é “desumanizadora”, já que se define como mal aquilo que não se consegue explicar (o livro que a tornou famosa e premiada, Precisamos Falar Sobre o Kevin, trata de um menino que mata os colegas na escola), falou sem problemas sobre questões ligadas à sua literatura e sua vida pessoal.

Arnaldo Bloch, o mediador, foi quem precisou raspar o tacho de possibilidades para encontrar semelhanças as obras das duas autoras reunidas na mesa, tão diferentes entre si. Conseguiu até comparar o fato de Lionel ser casada com um baterista, o “rei da baqueta”, e Patricia, com John Neschling, o “rei da batuta”.

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