PUT PEOPLE FIRST
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PUT PEOPLE FIRST

Flavia Guerra

31 de março de 2009 | 13h10

Prólogo e Pré-fácil explanação:

RESPOSTA ABERTA AO CARO LEITOR AM:

Caro, eu não estou me exibindo falando inglês, estou apenas brincando com as palavras e o ‘esperanto’ que todos acabam falando quando moram em um país que não fala a mesma língua madre nostra. Por isso tento sempre explicar para os leitores que não são obrigados a entender inglês os porquês das brincadeiras. Desta vez, ainda que longe de ser genial, a brincadeira se referia tanto a ‘Real Estate’ (o tal do imóvel, como explico na primeira linha) quanto ao ‘Real State’ (o tal do Estado Real da digníssima Rainha). De real, muitas vezes os Real Estate e o Real State não tem nada, não é mesmo?
Como não ficou clara a brincadeira, obrigada pela observação. Vou tentar se mais clara, e menos disléxica, das próximas vezes.

O REAL STATE em estado de alerta geral

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No ball games, diz a placa para ‘inglês ver e desobedecer’

Hoje é dia de preparação para os protestos de amanhã. Enquanto os G20 se reúnem, os súditos da Rainha se preparam para protestar e defender com placas e piquetes que ‘Capitalism is not working!’. O Capitalismo não está funcionando. O heating (aquecedor) de um dos quartos, o exaustor do banheiro, a fechadura da porta também não. Mas sobre isso é melhor protestar com o landlord (o ‘senhor da terra’ e não o proprietário, já que não muitos súditos são donos de suas propriedades no Reino Unido) paquistanês.

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O exaustor do banheiro quebrou? “Abra a janela!”

O que é mais difícil? Quebrar um preconceito ou uma cláusula no contrato?
Quebrar as regras até que não é tão difícil assim. Os meninos de Bangladesh jogavam bola no domingo de novo e quebravam as regras claras (vide a placa). Só não quebravam as janelas porque elas aqui são double glazed (tem ‘camada dupla’ contra arrombamentos e afins).
Quem promete quebrar o silêncio são os que perderam a fé no mercado financeiro e no capitalismo. Não é que a máxima ‘o seguro morreu de velho’ diz que melhor que investir em ações é comprar terras, muitas terras?
Pois bem, em Londres não há muita terra. E muito menos ‘frehold land’. A ‘frehold land seria algo como ‘a terra de posse livre’. Isso porque a grande maioria das terras no Reino é de posse da realeza. As ‘terras da Rainha’ são de ‘leasing land’ (algo como emprestadas ou alugadas) por cerca de 100 anos. Compra-se e mantém-se por uma, duas, quase três gerações, mas o tataraneto do landlord (por isso ‘o senhor da terra’ e não o proprietário) se quiser mantê-la, terá de comprá-la novamente.
A terra treme em solo inglês nesta semana. Enquanto na Carter House as novas inquilinas tentavam convencer o landlord a ser bom para elas e arrumar o exaustor do banheiro, as energias se exauriam no centro da cidade. Milhares dos britânicos desempregados protestavam e pediam uma nova política mundial que ‘PUT PEOPLE FIRST’, ou seja, Ponha as Pessoas (e não os banqueiros bem os cifrões em primeiro lugar). Há também o grupo que pede Put BRITISH People First e pede que os milhões de imigrantes (que, pelo bem ou pelo mal, fazem com que a capital inglesa seja talvez a cidade mais cosmopolita do mundo) ‘go home’ (voltem para suas free, ou não, lands).

Um grupo diz: Yes, we can. O outro diz: ‘Yes, weekend!’.
E os senhores da Terra dizem: I can.
Não são as pessoas que estão em primeiro lugar quando o assunto é convencer o landlord a pagar pela troca do carpete alagado cheirando a guardado desde a era Vitoriana.
A explicação: O heating, aquecedor, do quarto estava com vazamento. O sistema que aquece as casas inglesas segue um primário esquema de ‘a água é aquecida em um tambor e, em seguida, corre, fervendo, pelos canos que se estendem por toda a casa’. Canos enferrujam. Canos enferrujados racham e pingam.
Pingou por noites seguidas. Alagou o carpete, claro, o mais barato possível, do quarto do tal do council flat (a Cohabezinha). “Olha, isso é um negócio. Se eu começar a trocar tudo que os inquilinos querem, não vou ter lucro. Ninguém vai morrer porque há buracos nas paredes, um carpete fedendo ou um exaustor quebrado”, diz o landlord.

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O carpete do quarto alagou. ‘Ora, vá reclamar com a Rainha! Isso aqui é um negócio!”

De fato. “Mas eu sou alérgica. E se viver neste quarto, vou viver doente. E vou mandar a conta dos remédios para você”, responde a inquilina já cansada de guerra contra as regras ‘para inglês ver’ dos Real Estate Agents (os corretores de imóveis).
O landlord não se convence e replica: “Você deve ser muito sensível, eu juro que não estou sentindo nada.”
“Sensível o seu nariz de fato não é. E aqui não moro enquanto não trocar o carpete. Troco e desconto do aluguel.”
Depois de muita discussão de deixar a bancada do G20 boquiaberta, o landlord concordou: “Ok. Eu pago metade. Mas do carpete mais barato. E você vai ter de ir na loja do meu amigo que eu indicar.”
Na falta de um membro do PUT PEOPLE FIRST para defendê-la no momento, a inquilina botou a viola no saco, engoliu seco e concordou.

Dia seguinte, a tal da loja do tal amigo. No coração de Whithechapel, a única mulher em uma loja de tapetes…

O G20 vai passar por aqui. E a real Estate, and State, Odissey, continua….

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Um lado do colchão está velho? “Vira o colchão para o outro lado!”

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