The grass is always mais verde no quintal do vizinho
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The grass is always mais verde no quintal do vizinho

Flavia Guerra

31 de dezembro de 2009 | 20h25

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Se Londres não vai ao Brasil, o Brasil vai a Londres

Londres e São Paulo

Depois da avalanche de correria, agitação, Christmas Sales, neve e frio, desembarco em São Paulo. De volta ao Brasil após um ano, experimento a sensação que muitos, sejam proletários, retirantes, alta classe, universitários e afins, sentem. A sensação de deslocamento no tempo e no espaço. Ao mesmo tempo em que nada mudou, tudo parece diferente. Eu bem que podia gastar muitas das minhas intermináveis palavras para descrever o ‘mix of feelings’ (nada mais que a mistura de sentimentos) que atordoa quem passa um ano ralando no exterior e volta à terrinha nesta época do ano. Mas vou roubar os diálogos de conterrâneos que, como eu, esperavam pelos seus vôos no aeroporto de Heathrow há menos de uma semana.

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A picanha que aqui eu saboreio, não tem o mesmo gosto de lá

Estava eu saboreando um chá com leite (alguns vícios e qualidades a gente sempre herda de outros povos), quando um grupo de brasileiros sentou-se ao lado:

“Adoro Londres, mas esta cidade não dá. Preciso ir para São Paulo, ver a galera da Zona Sul, comer um churrasquinho, matar uma pizza de verdade”, provocou o Paulista.
“Não dá por quê? Londres é ótima. E nem vem dizer que São Paulo é melhor. Cidade mais feia, suja, poluída, um trânsito da peste, violenta..”, retrucou o amigo nordestino em seu sotaque indefectível.
“É verdade, aqui é muito melhor para trabalhar e para viver. Mas sinto falta de pegar meu carro, ir até a padaria da esquina, ser reconhecido no trajeto, parar para falar com o amigo do bar, tomar umas breja, matar umas coxinha! Meu, coxinha!! Há quanto tempo eu não como uma coxinha e tomo uma água-de-côco. Inglês é bacana, mas brasileiro é brasileiro”, explicou o Paulista num saudosismo de encher Gonçalves Dias de orgulho.
O amigo goiâno não se fez de rogado e retrucou: “Ói qui, acho tudo muito bão aqui na Londres. Aqui na Inglaterra nem mesmo a polícia é corrupta. Uma vez fui parado pela polícia e claro que o cara se ligou que eu estava ilegal. Ele teve a cara-de-pau de me liberar mas não pediu nenhuma ‘cervejinha’. No Brasil, era capaz de pedirem a minha casa para não me entregar para o Home Office. E na boa, nem tanta saudade dá. Até coxinha, picanha, farinha e requeijão a gente acha. Mas eu quero mesmo é me jogar num bailão de Goiânia, sair com as meninas, ir num rodeio, dançar muiiito! Vou lá matar a saudade depois eu volto.”
Diante dos ataques de Policarpo Quaresma indeciso do amigo, a mineira sintetizou: “É… Quando a gente tá aqui, quer estar lá. Quando está lá, quer estar aqui porque começa a sentir saudade da organização, dos políticos honestos, do eletrônicos mais baratos, dos planos para celular que não roubam a gente, do metrô que funciona e vai para tudo quanto é canto, da segurança, do salário em libras. Sabe quando eu, como cleaner (faxineira), ia ter um iphone no Brasil? Nunca.”

É… Como bem diz o ditado, the grass is always greener on the other side. Or ‘a grama é sempre mais verde no quintal do vizinho.’

HAPPY NEW YEAR! FELIZ 2010!

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